Ninguém será perfeito

“A Natureza é um poema misterioso, cujo enigma, se nos fosse revelado, contaria a Odisséia do Espírito que foge de si, a buscar-se…”

Schelling, filósofo alemão. 

“Duas coisas me encantam nesta vida: o imenso céu estrelado sobre a minha cabeça e a moral no coração do homem.”

Kant, filosófo alemão.

Enquanto penso, lembro-me nesse exato instante, da famosa estátua de Rodin, “O Pensador”. Ele está ali a segurar sua cabeça que parece pesar. Imerso talvez, diante da plenitude da vida, do mistério e da pergunta…

Há uma frase do filósofo alemão Adorno, que é mais do que uma provocação: “As idéias nada realizam”. Pode ser que sim, se pensamos na grande quantidade de teses acadêmicas sobre tantos assuntos, propondo tantas soluções, para os mais variados problemas, para cada área do conhecimento. Não foi Marx, outro importante pensador quem disse solenemente? “Os filósofos até agora interpretaram o mundo, é preciso transformá-lo”. 

No dia 11 de setembro de 2001, eu estava em Belo Horizonte, num Congresso Internacional de Filosofia que tratava da vida e da obra do filósofo alemão, Schelling. Dentre os muitos livros que ele escreveu, um chamou minha atenção desde que escutei pela primeira vez seu título: “As Eras do Mundo”. Um belo título para um livro filosófico. Nessa obra, o autor fez um esforço fantástico para tentar entender como o mal entrou no mundo. Se Deus é bom, como então o mal foi possível? Um dos palestrantes se encarregou de tentar nos fazer entender esse intrincado problema sob a ótica de Schelling. Por sinal, esse é um livro bastante interessante e especial, já que, para o filósofo alemão o mundo espiritual é uma realidade. Estávamos ali, imersos em meio a tantos questionamentos quando ficamos sabendo, antes do almoço, do ataque terrorista às Torres Gêmeas em Nova York. Nós, que tentávamos decifrar o problema do mal, estávamos bem diante dele, de alguma forma. Quando saí para o almoço, conversei com uma  universitária que me disse o que estava acontecendo. Até falou que tinha escutado alguém dizer que o mundo iria acabar. Vejam só! Às vezes, o trivial pode ser simples e até banal! Há momentos em que achamos que nada está acontecendo! O mundo não fica apenas do lado de lá. Encontrei-me momentos depois com um grande amigo, espiritualista sério, que se mostrou bastante preocupado com o que estava ocorrendo. Havia com certeza, uma comoção no ar, que se espalhou pelos corredores da Faculdade de Filosofia da UFMG. Eu diria até que havia um certo alarmismo disfarçado de não sei o quê. Bachelard, filósofo francês, disse certa vez: “Somente a violência é convincente”. Provavelmente ele teria passado também por uma grande comoção para poder dizer assim, com todas as letras que, diante da barbárie, nos rendemos de alguma forma.

O mundo é uma bola que gira no espaço. Cá estamos! De vez em quando, à noite, olhamos para o alto para contemplar as estrelas e sentir no infinito, nosso espírito,  mergulhado em um corpo, como diria Platão. De vez em quando, dizemos que já é hora de dormir… E assim, vamos levando a vida, enquanto ela também nos leva por suas estradas.

Na Grécia Clássica, as pessoas iam às assembléias para discutir se uma determinada ponte deveria ou não ser construída, se um determinado imposto, deveria ou não ser cobrado. Um sentimento de cidadania tomou contou desse povo. Mas daí, também apareceram os Sofistas, professores de retórica, capazes de ensinar a qualquer um, a arte de falar bem e a arte do convencimento. E para isso eles cobravam por suas aulas. Sócrates não sabia mais o que fazer para enfrentar esses “falsos professores”! A juventude corria perigo por aquele tempo! O homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são, das que não são enquanto não são.” Palavras de Protágoras, sofista. Vendo essa mercantilização do conhecimento nos dias de hoje, perguntei recentemente a um amigo filósofo se ele achava que os sofistas estavam de volta. Ele me disse: Eduardo, eles nunca foram embora! Rimos juntos! Às vezes, a gente ri do que não entende! Porque, sem nem pensar muito, o conhecimento não deve ter um fim em si mesmo? Então, ele não deveria se tornar uma mercadoria! Não, uma mercadoria qualquer! Não uma mercadoria!

Ser cidadão é participar das decisões da cidade, é fazer a sua parte de alguma forma. Perto de minha casa tem um ponto de ônibus e logo que me mudei para o bairro, percebi que as pessoas ao esperarem o lotação ficavam em pé. Agrande maioria. Por longos minutos. Havia apenas um banco para as pessoas se sentarem, num ponto movimentadíssimo. Enviei um e-mail para a empresa que gerencia o trânsito aqui em Belo Horizonte, relatando o caso e perguntando o porquê de só haver um banco. O por quê pode ser muitas vezes importante! Eles me responderam dizendo que providenciariam outro  banco em menos de 15 dias. Cumpriram com o que disseram. Poucos dias depois sentei-me ao lado de um senhor e disse pra ele: “Colocaram esse outro banco aqui!” E ele me respondeu: “É! Ficou bão!”

 O mundo é a nossa casa. Grande demais, belo demais! Ainda sobra tempo para admirá-lo não é? Façamos a nossa parte. Ela é a parte de todos! E, ninguém será perfeito enquanto não quiser!

01/06/06

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