A polenta e a ordem dos fatores

Minha esposa Ana,  aprendeu um jeito diferente de fazer polenta com meu tio João. Padeiro durante muitos anos, ele aprendeu muitos segredos da culinária. Tamanha simplicidade a deixou surpresa, já que essa delícia capixaba levava bem mais tempo para ficar pronta. Na cozinha, a ordem dos fatores altera o produto!

Escrevo esta crônica para falar do caos em que tantas vezes nos sentimos mergulhados. Turbilhões de pensamentos, excessivas preocupações, noites mal-dormidas… E junto disso, muita pressa para falar, dirigir, ou andar… O mundo precisa de um pouco mais de calma, como disse o compositor.

Como é importante a ordem. O máximo de coisas possíveis no seu devido lugar nos permite lembrar o lugar de guardar.  Às vezes some a chave, a
carteira, o celular, ou algum documento muito importante. Às vezes, sumimos  perante nós mesmos, os outros, debaixo de tantas pressões; e reaparecemos com  tristeza e desânimo. Como é importante ter ordem. Viver com mais consciência, mais esperança, mais fé e saúde. Quem sabe
mudando o foco da questão.

Quando eu era adolescente, gostava muito de química. Em minha memória ficaram registradas dezenas de fórmulas. Certa vez, me deparei com uma definição de entropia que nunca mais esqueci…entropia para quem não sabe, é um estado de desordem das moléculas. O universo
está em entropia, caminhando para a desordem, para um estado de desagregação segundo os estudiosos. Lá estava no livro a definição que nunca mais esqueci:  entropia é como você entrar numa biblioteca, tirar um livro da estante e não recolocá-lo no lugar. Imagine então muitas pessoas fazendo a mesma coisa e a biblioteca estará em pouco tempo uma bagunça. Depois que li essa definição sempre me incomodava com os dizeres colados nas estantes: “Favor não recolocar os livros no lugar. Temos pessoas para realizar esse trabalho.” Muitas vezes deixava o livro largado, em outras, marcava direitinho o lugar de onde o tinha retirado, colocava de volta e, aliviado, saia sossegado. Fiquei com medo da entropia.

Confesso que ainda deixo muitas coisas esquecidas: uma tampinha de refrigerante em cima da pia e a garrafa aberta, uma escova de cabelos no sofá, um álbum de fotos na beirada da mesa, uma toalha de banho sabe-se lá onde. Fico pensando como é bom saber o lugar de cada coisa que
nos pertence nesse grande universo da vida, onde tantas coisas se perdem e se misturam, dentro e fora de nós. Às vezes, é preciso juntar, reunir o melhor que temos; outras vezes, separar, desaglutinar velhos hábitos, ou crenças cristalizadas. Com certeza existe uma hora para tudo.

Eduardo
Augusto

27/01/11

Dedico esse texto ao meu amigo
Lucas Augusto, economista de formação, matemático por profissão.

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