Não pare

Devagar se vai ao longe diz o ditado. Nesses tempos de tanta correria em que se dorme bem menos do que se gostaria, lembro-me agora do início do desenho animado Carros. Uma reflexão sobre disputas, amizade, tempo para os amigos, para as coisas boas da vida. O personagem principal, Relâmpago Mac Quen, antes de entrar na pista de corrida está dentro de um caminhão. Tudo está escuro e ele diz: Eu sou a velocidade, eu sou a velocidade! Muito legal a cena e todo o desenrolar da narrativa.

Dia desses eu passava de carro por uma rua quando avistei uma placa de Pare. Acima do dizer, um Não pixado. Não pare era a mensagem. Talvez alguém quisesse gritar: Não pare, não desista. Assim interpretei. Interessante imaginar que o pequeno infrator tenha realizado quem sabe, um grande feito.

Placas de pare são únicas. Mesmo quando vistas por trás são identificadas em qualquer parte do mundo. Na semana passada avistei uma outra. Abaixo do dizer, também pixados, olhinhos e uma boquinha. Pare sorrindo era a mensagem.

Intervenções urbanas no caótico trânsito das grandes cidades. É quando algum gesto poético tenta nos resgatar de alguma cidade esquecida, chamando-nos para uma pausa, um tempo para o sorriso.

 Eduardo

13/12/11.

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2 Comentários on “Não pare”

  1. Lilian Rocha disse:

    Não pare. Siga em frente. Não desista.
    Pare pra sorrir. Pare pra curtir e continuar de novo a jornada da vida…
    Edu, gosto muito de suas análises sobre o cotidiano.
    Isso me lembrou quando eu trabalhava no Hospital das Clínicas em Belo Horizonte, na emergência pediátrica.

    Havia crianças com doenças muito graves, inclusive leucemias, e algumas delas estavam com as plaquetas muito baixas. Isso quer dizer que elas poderiam sangrar com qualquer machucadinho bobo. As enfermeiras e os residentes ficavam aflitos em vê-las correndo, brincando de pular e pintar e bordar… Aquilo poderia trazer hemorragias graves, e elas eram muito conscientes de suas doenças. Sabiam mais do que os próprios residentes sobre as patologias delas. E mesmo assim agiam como crianças: corriam os riscos desnecessários (na opinião dos adultos), mas muito necessários para elas se sentirem vivas. Apesar da enfermidade, a vida continuava.

    Trabalhar com aquelas crianças foi essencial na minha formação de pediatra. No cotidiano delas entre coletas de sangue, transfusões e exames invasivos, elas sorriam, brincavam e encantavam com suas traquinagens, deixando a nossa equipe médica de cabelos em pé! E ainda disputavam entre elas quem tinha as plaquetas mais baixas…

    • Oi Lilian, minha amiga de tantos anos… grato pela sua visita ao blog, pelos comentários! Pois é, criança é criança em todo lugar. Mesmo Sadam Husseim foi uma delas. Como diz o ditado, “criança tem anjo da guarda forte!” Brincar para elas é como respirar! Por isso elas têm pulmões a todo vapor, driblando gripes, bronquites e outras ites!

      Sempre escrevi… comecei na poesia mas depois, com o tempo, senti e entendi: melhor que a subjetividade é a objetividade do que se revela pelo sentimento. Por isso, hoje escrevo crônicas, principalmente as que falam do cotidiano, onde todos os dias, pequenos milagres acontecem!

      Preparo um livro! Gentileza divulgar meu blog aos seus amigos e conhecidos!

      Um abraço em você e em toda família!

      Edu


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