Click

Sempre gostei de fotografia. Como muita criança fiz pose, caras e caretas. Lembro-me também da primeira vez em que fotografei. Comprei uma Kodak Instamatic e paguei em três vezes com todos os centavos da minha humilde mesada. Valeu muito a pena.

Eu achava as câmeras inventos engenhosos. Por isso, vez ou outra eu  abria a minha para entender um pouco seu funcionando. Às vezes a virava em minha direção, simplesmente para ver, repetidamente, o obturador abrir e fechar, numa fração de segundos. Graças a ele, a luz imprimiria sua marca naquela fina película…

A 1ª foto? Meu irmão apontando pro ônibus: “mãe, tá vindo, olha!” Lembro-me nitidamente da emoção que senti ao fazer esse registro e de seguirmos viagem rumo ao centro da cidade. Carreguei minha primeira câmera, como meu primeiro troféu. Depois dessa foto, vieram centenas de outras que registraram rostos, lugares, emoções, almoços e muitas comemorações; não só em família. Tantas fotos fiz que, até hoje, quando chego na casa de algum tio, parente ou de uma pessoa bem próxima, sempre alguém pergunta pela câmera, ou se recorda de algum registro.

Momento revelador: a ida ao laboratório era sempre empolgante! Abrir ali mesmo o envelope. Que sensação agradável! Ver, rever, mostrar para a família. Colocar em ordem as fotos do albinho… hoje, quase ninguém imprime suas fotos… Acreditamos que nossos arquivos virtuais estarão imunes à ação do tempo e à infalibilidade dos equipamentos.

Outro dia estava pensando em Ronaldo, o Fenômeno. Acredito que não tenha um dia sequer, sem que ele seja fotografado por alguém. Colocou os pés para fora de casa, lá vem alguém com a maior cara de felicidade pedir uma foto com o craque! Isso, sem falar do autógrafo. Confesso que se o encontrasse também, não deixaria por menos. Meus netos vão precisar saber que estive ao lado de um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos.

Fotografia hoje é assim: clicou, todo mundo pede pra ver a foto na hora! A surpresa continua a mesma. Só que agora, ela é instantânea. Se ficou ruim, por favor, deleta! E aquele recurso incrível que atualmente as câmeras possuem: smile shutter. Um sensor reconhece seu sorriso. Alguns equipamentos reconhecem até mais de um. Então, aqueles quadrinhos ficam vibrando na telinha até o mágico instante do click. Em um segundo a eternidade estará guardada. Fotografias, retratos do tempo…

Eduardo

16/02/12.

Ao escrever senti saudades da minha Kodak Instamatic.

Dedico essa crônica à minha amiga Henriette Mourão, que a cada click, descobre o novo da vida.

Anúncios

One Comment on “Click”

  1. Henriette Mourão disse:

    Hoje, e lá se vão três anos, me deparei com essa crônica-dedicatória, que de tão linda, ficou na história, registrada. Me fez feliz! Grata, Eduardo! Grande abraço!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s