Somos tão jovens

Kiss

“Não tenho medo do escuro.
mas deixe as luzes
acesas agora.
O que foi escondido
é  o que se escondeu.
E o que foi prometido
ninguém prometeu.
Nem foi tempo perdido…”

Nossas manhãs ainda estão cinza. Uma tragédia que jamais será esquecida. 27 de janeiro de 2013. Santa Maria chora a ausência de seus filhos. Um incêndio. Uma saída que não foi encontrada àquela hora. Celulares das vítimas que ainda tocavam. Mães e pais desesperados em busca de notícias. Uma réstia de vida em meio aos escombros. Ninguém atende. 235 vidas perdidas. Somos tão jovens.

Eles só queriam se divertir, mas a morte vem beijar-lhes a face.

Dura lição que aprenderemos com nossa dor. Ela falará sempre, que mais vale a vida que o dinheiro, a ignorância, o descaso.

Choramos, porque sabemos que os sonhos não envelhecem, se a estrada não é bruscamente interrompida. Choramos, porque ainda temos fé de que os feridos nos hospitais hão de se levantar para o abraço da existência. Vida que renasce e sorri ainda que marcada.

Clame Santa Maria por justiça, clame o Brasil, para que nunca mais tragédias como essa se repitam. Para que nossa juventude seja o retrato da esperança de novos dias.

Dedico essas palavras às vítimas de Santa Maria e a seus familiares.  

Eduardo.

31/01/13

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Humor que acorda

meias

E escreveu o Renato: “muita emoção calçar as meias. Muita. Ainda mais o par certo. Haja coração, amigos!”

Melhor que isso, só mesmo colocar a camiseta de malha do lado avesso e ir à padaria ou, quem sabe, levar os filhos à escola e na volta, passar no supermercado.

Quando se leva a vida com humor, não há rancor que resista. E isso aprendemos com nossos pais que também eram amigos. São ainda.

Certa vez, viajando juntos no carro do pai do Renato, de Ouro Preto para Belo Horizonte, eu, ele, o Marco, e o meu pai conversávamos descontraidamente, quando entramos em uma grande avenida. A conversa corria solta e descontraída como sempre, quando Renato percebeu que num cruzamento, algo grave estava para acontecer. Ouve-se um grito de desespero:

_ Pai, olhaaaa o ônibuuuus!  

Seu pai freiou bem devagar, mantendo a distância de segurança e, olhando por cima dos óculos, respondeu tranquilamente:

_ Calma, meu filho! Eu tô vendo! Cê acha que eu não tô vendo!? E vê se isso é jeito de falar! Até atrapalha quem tá dirigindo! Né não, Taciano?!

_ Ah é pai?! O senhor em rota de colisão queria que eu dissesse pau-sa-da-mente como?

_ Pai, tá vindo um ônibus azul em sua direção! Dentro tem um rapaz de camisa vermelha e de boné! Uma moça segura uma sacola amarela vindo da feira. Se você não frear, vamos bater a uma velocidade de 80 km/h!

Gargalhada geral.

O humor nos torna mais ricos, transforma-se em risos, acorda a memória.

Eu dedico esta crônica ao Renato Sasdeli, amigo de tantos de anos e tantas jornadas! Grande abraço.

Eduardo

11/01/12.

 


Sobre sacolinhas e baleias

baleias

“Eu não sou contra o progresso
Mas apelo pro bom senso
Um erro não conserta o outro
Isso é o que eu penso”.

Progresso. Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Existe no 2º andar da Casa dos Contos em Ouro Preto-MG, um local onde supostamente ficavam as privadas. Claro que todos os visitantes chegam bem perto para ver o que há naqueles três buracos. Nenhum dejeto humano, posso garantir. Mas, um vão de aproximadamente 3 m de altura. Os turistas acham graça. É uma cena inusitada visitar o que sobrou de um banheiro do século XVIII.

Já disse um filósofo indiano: a gente às vezes ri do que não entende… Uma pessoa me explicou recentemente, o que é uma fossa seca. O cocô (principalmente), não chega nos rios. Fica retido entre pedras, cascalho e areia. A água, por processos de decantação e filtragem, chegará mais limpa aos córregos.

Você já sentiu uma certa estranheza ao lançar suas fezes na água limpinha do vazo? Eu já. E não devo ter sido o único. Além disso, o cesto de lixo do banheiro estará forrado com a inigualável sacolinha plástica. Digo isso para perguntar: como explicar o quase fetiche que as pessoas têm, isso falando de Brasil, de pegarem sacolinhas plásticas no supermercado? Tem gente que enche a mão sem nenhum peso na consciência e com a maior cara de felicidade. Seu lixo encontrará alguma destinação e não será a melhor.

Como sabemos, o saco plástico é um derivado do petróleo e pode levar séculos para se decompor na natureza. Segundos dados do site Mundo Sustentável, estima-se que no mundo “são distribuídas entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacolas plásticas por ano. No Brasil, o número gira em torno de 12 bilhões anuais. Cada brasileiro consome cerca de 66 sacolas plásticas por mês”. Isso nos faz pensar. Não é de hoje, que ganha fôlego a tentativa de colocar em prática todos os artigos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada no dia 02 de agosto de 2010, depois de 21 anos tramitando no Congresso Nacional. Dentre os objetivos da nova lei estão:

  • A não-geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos;
  • Destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos;
  • Diminuição do uso dos recursos naturais (água e energia, por exemplo) no processo de produção de novos produtos;
  • Intensificação de ações de educação ambiental;
  • Aumento da reciclagem no país;
  • Promoção da inclusão social;
  • Geração de emprego e renda para catadores de materiais recicláveis.

Que sejamos capazes de salvar, não só as baleias, como cantou Roberto Carlos, mas, nossa própria pele; reinventando novas maneiras de lidar com nossas próprias criações. Progredindo, porém, deixando a Terra, nossa casa, mais limpa.

Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org/noticias/politica-nacional-de-residuos-solidos-e-sancionada

http://www.akatu.org.br/Temas/Consumo-Consciente/Posts/Veja-como-fazer-saquinho-de-jornal-para-o-lixo-ok

Música Progresso: http://letras.mus.br/roberto-carlos/424486/

 


Radiante

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“O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
(…) E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto…”

Fernando Pessoa

Se Cazuza cantou: Vago na lua deserta das pedras do Arpoador…” Marcinha preferiu caminhar por ali, com plena consciência, em busca do pôr do sol. Num lugar que há tantos inspirou e há de inspirar.

Nada como chegar a um fim de ano vendo essa grande maravilha da natureza, o Astro Rei; a brilhar no derradeiro dia do ano, sobre mansos e bravos, preocupados e relaxados, alegres e tristes. Iluminada luz!

Ver e não sentir. Como isso é possível? Primeiro a gente olha. Como está na plaquinha, que muitos nem lêem quando chegam à Pedra do Arpoador. Não importa…

É fim de tarde, é fim de ano e um novo começo brilhará com certeza em nossos corações, porque podemos fazer mudanças, transformações. Deixar o velho e o antiquado para trás. Envelhecer com sabedoria, rejuvenescer com alegria. Tempo de fazer as pazes consigo mesmo.

Dedico esse texto à minha amiga, Márcia.

Um radiante Ano Novo pra você e sua família!

Eduardo

07/01/13


Barulhinho bom

Chuva

Meu pai adorava dormir ouvindo barulho de chuva. Ele dizia: “Ô coisa boa! Escuta!

_ O que tem, pai?

_ Escuta! E abria um largo sorriso!

_Dá bença sua mãe, dorme com Deus, meu filho! Deus te abençoe!

Quantos poetas a cantaram! E quem não viu aquela maravilhosa cena do filme “Dançando na chuva”, com o Fred Aster. Meu pai era o meu Fred Aster, só que dormindo! Embalado pelo som de cada gotinha que caia do telhado, dormia como uma criança.

Doces lembranças de um tempo que volta. Chove lá fora.

Dedico esta pequena crônica ao meu pai.

http://www.youtube.com/watch?v=bzQfrvIZW98

http://www.youtube.com/watch?v=nqlo53ifIHI

Eduardo

07/01/13


O Silêncio

Paisagens

“Um cheiro de café, sombra no pomar,
as crianças a cantarolar,
sino que bateu, gente que chegou…
Um passeio pelo interior…”

14 Bis.

Estive viajando recentemente pelo interior. Chamou minha atenção o silêncio das cidades que visitei. Conseguia sem nenhum esforço, escutar o canto dos passarinhos durante o dia, o latido de cachorros a longas distâncias, durante a noite. Isso sem falar no canto do galo. Um canta, o outro responde laaá longe. Vi a lua, senti a brisa, acompanhei estrelas.

Que bem faz o silêncio! E isso a gente só sente, quando tem a oportunidade de escutar a vida, de ver que toda essa velocidade desses tempos atuais pouca falta faz.

http://letras.mus.br/14-bis/43909/

Eduardo

07/01/13

Dedico este texto à minha esposa, Ana.


“Ora direis ouvir estrelas…”

cielo estrelado

Uma pessoa me contou recentemente a seguinte história. Ela viajava de carro por uma estrada, acompanhada de mais duas pessoas, quando passaram por dentro de um canavial. Tanta era a escuridão, que se via o cintilar prateado das estrelas. Querendo sentir mais de perto o céu, solicitou ao motorista que parassem a viagem por alguns momentos, apagassem os faróis e usufruíssem de tamanha beleza. Porém, antes de abrir a porta do carro, percebeu que o condutor estava empunhando um revólver. Perguntado sobre o que fazia àquela hora contemplativa com uma arma na mão, respondeu: “Você acha que eu vou descer aqui, assim, desprevenido?”

Não se escutou nenhum tiro, graças a Deus.

Como disse o poeta Olavo Bilac: Que sentido tem o que dizem, quando estão contigo? E eu vos direi: “amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e  de entender estrelas”.

Eduardo

06/01/12.