Sobre sacolinhas e baleias

baleias

“Eu não sou contra o progresso
Mas apelo pro bom senso
Um erro não conserta o outro
Isso é o que eu penso”.

Progresso. Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Existe no 2º andar da Casa dos Contos em Ouro Preto-MG, um local onde supostamente ficavam as privadas. Claro que todos os visitantes chegam bem perto para ver o que há naqueles três buracos. Nenhum dejeto humano, posso garantir. Mas, um vão de aproximadamente 3 m de altura. Os turistas acham graça. É uma cena inusitada visitar o que sobrou de um banheiro do século XVIII.

Já disse um filósofo indiano: a gente às vezes ri do que não entende… Uma pessoa me explicou recentemente, o que é uma fossa seca. O cocô (principalmente), não chega nos rios. Fica retido entre pedras, cascalho e areia. A água, por processos de decantação e filtragem, chegará mais limpa aos córregos.

Você já sentiu uma certa estranheza ao lançar suas fezes na água limpinha do vazo? Eu já. E não devo ter sido o único. Além disso, o cesto de lixo do banheiro estará forrado com a inigualável sacolinha plástica. Digo isso para perguntar: como explicar o quase fetiche que as pessoas têm, isso falando de Brasil, de pegarem sacolinhas plásticas no supermercado? Tem gente que enche a mão sem nenhum peso na consciência e com a maior cara de felicidade. Seu lixo encontrará alguma destinação e não será a melhor.

Como sabemos, o saco plástico é um derivado do petróleo e pode levar séculos para se decompor na natureza. Segundos dados do site Mundo Sustentável, estima-se que no mundo “são distribuídas entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacolas plásticas por ano. No Brasil, o número gira em torno de 12 bilhões anuais. Cada brasileiro consome cerca de 66 sacolas plásticas por mês”. Isso nos faz pensar. Não é de hoje, que ganha fôlego a tentativa de colocar em prática todos os artigos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada no dia 02 de agosto de 2010, depois de 21 anos tramitando no Congresso Nacional. Dentre os objetivos da nova lei estão:

  • A não-geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos;
  • Destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos;
  • Diminuição do uso dos recursos naturais (água e energia, por exemplo) no processo de produção de novos produtos;
  • Intensificação de ações de educação ambiental;
  • Aumento da reciclagem no país;
  • Promoção da inclusão social;
  • Geração de emprego e renda para catadores de materiais recicláveis.

Que sejamos capazes de salvar, não só as baleias, como cantou Roberto Carlos, mas, nossa própria pele; reinventando novas maneiras de lidar com nossas próprias criações. Progredindo, porém, deixando a Terra, nossa casa, mais limpa.

Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org/noticias/politica-nacional-de-residuos-solidos-e-sancionada

http://www.akatu.org.br/Temas/Consumo-Consciente/Posts/Veja-como-fazer-saquinho-de-jornal-para-o-lixo-ok

Música Progresso: http://letras.mus.br/roberto-carlos/424486/

 

Anúncios

4 Comentários on “Sobre sacolinhas e baleias”

  1. Luiz Claudio disse:

    Eduardo, excelente post. Esquecemos o passado para não sentirmos culpa no presente e pensando que ainda teremos um futuro!

    • Saulo Januário disse:

      Legal, acabei de ler o link do Akatu, vinculado ao post, e já fiz o meu primeiro saquinho de papel com um rascunho de A4. É super fácil de fazer.
      O lance de se implementar um tratamento adequado dos resíduos sólidos produzidos em nosso lar é um trabalho que exige boas doses de comprometimento, criatividade, disciplina, constância e motivação…é um verdadeiro empreendimento…trabalho de formiga..

      Valeu Dú, pelo post!

  2. Lucas Augusto disse:

    Muito bem contextualizado o texto. Já é hora do ser humano pensar um pouco nas gerações futuras, onde cuidar da vida preservando nossa casa representa um ato de amor.

  3. Laudimiro A Filho disse:

    Legal, Edu. Gosto de suas vinculações com a obra do Roberto Carlos. Parabéns pela produção!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s