Braço forte, cabeça e coragem

Santiago II

Santiago Andrade, 49 anos, repórter cinematográfico da rede Bandeirantes de televisão. Um homem como outro qualquer, um pai de família, como tantos outros.

Você teve a coragem de estar no olho do furacão captando com suas lentes a indignação de muitos, mesclada com a violência irracional que nos faz pensar que algo está errado. Muito errado. Um rojão, um estrondo. E sua vida se foi. Suas ideias, seu passado a duras penas conquistado com o suor de teu rosto, seus planos para o futuro.

Como não se emocionar com a carta escrita por sua filha, Vanessa Andrade. Registro que nos faz enxergar o quanto você era uma pai amoroso e antenado, que seguiu junto com ela em tantos momentos. A adolescência chegou: “Quando fiz minha primeira tatuagem, aos 15, achei que ele ia surtar. Mas ele olhou e disse: caramba, filha. Quero fazer também. E me deu de presente meu nome no antebraço.”

Carregando por tantos anos sua câmera, “braço forte, cabeça e coragem e fé” como cantou o poeta.

Como não se emocionar ao ver repórteres e cinegrafistas, inclusive de outras emissoras e veículos de comunicação, colocarem seus instrumentos de trabalho no chão, numa justa homenagem. Como não se emocionar ao assistir ao final do Jornal Nacional, jornalistas todos de pé, em silêncio, sua fotografia ao fundo e, ao final, os aplausos.

Como não se render diante de tamanha violência, como não honrar seu nome, sua profissão, sua luta?

Santiago de Andrade, sua história vivida e construída, não será esquecida enquanto existir (e que exista sempre), uma imprensa livre, mesmo com seus defeitos e lacunas. Enquanto não vivermos num país, com justiça social .

Com essas palavras, minha sincera homenagem! Continuemos a trabalhar pela paz!

Eduardo Augusto

12/02/14

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3 Comentários on “Braço forte, cabeça e coragem”

  1. Luiz Claudio Circunde disse:

    Eduardo, um momento realmente triste, mas existem mais inocentes nestas verdadeiras batalhas, não só aqui no Brasil, mas em todo o mundo.
    Às vezes é um manifestante legítimo que sofre a agressão da polícia e morre, ou mesmo um policial ou jornalista cumprindo seu dever pode ser atingido ou mesmo um cidadão comum saindo do trabalho e cai bem no meio desta guerra.
    A lição disto tudo é que: será que vale à pena destruir uma família em prol de defender os meus direitos ou cumprindo os meus deveres? Será que é assim que deve caminhar a humanidade?

  2. Kenya Ellen disse:

    Edu, é triste pensar que este é o final de muitos “Santiagos”.


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