A dor que nos cala

Viaduto 2

Um estrondo. Silêncio. Nuvens de poeira. Gritos de desespero. Pedidos de socorro.

2 mortes. 23 feridos. Dentre eles, dois jovens. Hanna Cristina, 25 anos, motorista de um micrônibus há poucos anos e Charlys do Nascimento, 24 anos, servente de pedreiro. Histórias que se cruzaram, nesse destino para a morte. Suas lutas, do tamanho de uma batalha como a dos Guararapes, (nome do viaduto que desabou) e que levou para longe seus sonhos. Ele, segundo sua esposa, era uma benção em sua vida, para o pai, um filho muito presente; ela uma jovem de belos traços e espontânea alegria, que amava o que fazia.

O pequeno ônibus que Hanna dirigia tinha a cor amarela e o número 70, ano em que o Brasil venceu uma Copa do Mundo. Artimanhas  do destino. Segundo relato dos sobreviventes, Hanna teria freiado bruscamente seu veículo, ao escutar um forte estalo que antecedeu à queda de toneladas de concreto.

Àquela mesma hora, sua filhinha Ana Clara, de 5 anos, estava com ela. Para um coração de mãe, segundos podem ser tempo suficiente para se lembrar da cria e evitar o pior. Graças a Deus, a menina sobreviveu. Quantos sobreviveram! Uma tragédia que poderia ter se abatido sobre muitas famílias, já que o acidente ocorreu num horário de grande movimentação de carros e ônibus, numa grande avenida de Belo Horizonte. Um milagre _ muitos diziam. Por tudo isso, e principalmente, para os moradores desta grande cidade, aquela 5ª feira, véspera da partida, entre Brasil e Colômbia, não foi mais a mesma.

Era como se os escombros do viaduto que caiu, cobrissem nossas vistas, e fechassem a passagem do ar, tornando-o irrespirável. Uma hora sufocante, triste e desesperadora, sobretudo para todas aquelas pessoas que estavam naquele local.

Tamanha era a festa em torno do futebol por todo país que não se podia ou não se desejava, que os ecos dessa tragédia fossem veiculados em todos os jornais, com a contundência diante da magnitude do fato. Foi muito mais do que um balde de água fria na alegria geral. Mas, quando a vida está em jogo, o que importa realmente, é que ela perdure ao máximo e que todos cheguem sãos e salvos ao seu destino.

Pensando nessas histórias, fiz um exercício de imaginação. Hanna dizia alegremente para Ana Clara:

_ Filha, hoje vamos passear juntas!

_ Êba! Vai ser legal, mamãe!

Para uma criança, andar de ônibus num dia de férias, pode ser a maior a diversão. Depois, não foi mais assim.

Charlys talvez tenha dito à esposa:

_ Cristiliane, não seu preocupe, hoje busco você no trabalho!

_ Não precisa, Charlys!

_ Faço questão, Cris!

Que as lágrimas de seus pais, filhos, parentes e familiares possam um dia secar e que a lembrança mais viva, seja a do sorriso, da jovialidade e da coragem de vocês! Que esta tragédia nunca mais se repita! E que os homens, longe da ganância e do erro, tenham na memória que a vida é o bem mais precioso que temos!

Que o tempo se renove com o registro sincero e verdadeiro de tudo que se pôde viver de bom ao lado dessas pessoas, com toda Gratidão! Cada dia, cada hora, vencendo, construindo e seguindo em frente nessa longa estrada da vida.

Com essas palavras, minhas sinceras homenagens a Hanna Cristina e Charlys Nascimento. Aos familiares e amigos, meus sentimentos.

Fotografia: Portal G1

Eduardo

16/07/14

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One Comment on “A dor que nos cala”

  1. Lucas Augusto disse:

    Importante homenagem! Além disto, trata-se de uma ótima oportunidade de reflexão sobre as contingências que estamos sujeitos a passar. É a palavra escrita mostrando sua força para o bem.


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