Goiabada cascão

goiabada

Eu estava numa fila de supermercado, quando, ao lado, chegou uma velhinha segurando firme uma goiabada cascão. Ela lembrava minha avó. Ela parecia querer sair logo dali.  Com uma voz baixinha perguntou à atendente do caixa:

_ Posso passar na frente?

_ A senhora quer passar na frente? Ela balançou a cabeça em sinal afirmativo.

_ Deixa eu perguntar aqui pra eles, se eles deixam, porque, vai que um não gosta!

_ A senhora deixa ela passar na frente?

_ Sim, claro!

_ E a senhora?

_ Pode sim, com certeza!

_ E o senhor?

_ Pode!!!

A cada sim, aquela senhora tão magrinha, avançava devagarinho, espremida entre as pessoas! A moça do caixa retomou a conversa:

_ Isso! Ainda tem muita gente boa nesse mundo!

Sorri ao ver aquela cena, ao que ela me perguntou: num é mesmo? Fiz que sim, ao perceber que também a velhinha olhava para mim, feliz da vida por poder voltar para casa!

Que interessante:  legitimar o bem, numa fila de supermercado, ao sabor de uma goiabada cascão!

Talvez aquela senhorinha, que tantas coisas já viveu, fosse fazer um agrado para os filhos e netos. Talvez desejasse apenas e docemente, acalentar suas horas, saboreando  aquela gostosura com um queijo minas.

 

Eduardo Augusto

22/08/14

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O ar que a gente respira

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Há uns anos atrás, minha filha teve uma crise de bronquite. Na madrugada, fomos monitorando a situação, porém, chegou um momento em que decidimos levá-la ao hospital. No caminho, ela perguntou dentro do carro: porque eu tenho de ir pro hospital? Só porque eu não tô respirando? Só por isso?! Pensei comigo depois: sim, filha, só por isso! Porque você é o ar que a gente respira! Um abraço a todos os pais!

Eduardo Augusto

10/08/14


Histórias que não caem

Enem

Não sei se vocês se lembram, mas o escritor Mário Prata tem uma história interessante com vestibulares. Certa vez ele resolveu fazer as questões de interpretação de texto de um livro seu que “caiu” numa prova. Ele conta, com uma gostosa ironia, que errou todas as questões!

Outro dia, lendo uma historinha muito interessante do Para Casa da minha filha, pensei também no enorme tempo que já se perde com as interpretações de texto. E isso desde tenra idade.

De fato, elas são de pouca valia, além disso, acabam aos poucos, com aquele lindo encantamento que uma bela história pode despertar nas crianças. Por isso, diante de algumas perguntas tolas dos livros didáticos, pergunto à minha filha:

_ Clara, você entendeu isso aqui? _Não, papai! _Então deixa pra lá, filha, que isso não tem a menor importância! rs

É preciso deixar que as histórias falem por si! Isso e tão somente!

Eduardo Augusto

05/08/14