Na veia

Sou negrão

 A tolerância é a harmonia na diferença. Não é só um dever de ordem ética; é igualmente uma necessidade de ordem política e jurídica. 

Trechos da Declaração de Princípios sobre a Tolerância.

Conferência Geral da Unesco. Paris, 16 de novembro de 1995.

Mesmo quando se está aos quase 45 do segundo tempo. Contra o racismo toda voz que se levanta pede igualdade agora. Ela certamente nos torna mais humanos. O jogo entre Santos e Grêmio na semana passada pela Copa do Brasil, tinha tudo para ser um belo espetáculo, mas a sombra do preconceito nos cobriu de indignação e fez calar a pátria de chuteiras. Silêncio, raiva, inconformismo. Aos que chamavam o goleiro Aranha de “macaco”, “preto fedido” e outros adjetivos desprezíveis, ele respondeu batendo no braço: sou preto, sou! Sou negão, sou! E assim ele se fez livre das teias da discriminação. Nas redes sociais desabafou: “o racismo de qualquer modo ou gênero, é um mal e todo mal não detectado cresce e se fortalece. Ontem, esse mal mostrou sua cara e isso foi bom, porque eu tenho certeza que será, mais uma vez, combatido e enfraquecido, como em 1963, quando Martin Luther King fez o famoso discurso “I Have a Dream”.

Já estamos no século XXI, mas, como disse Aranha: dói, dói muito! Caberá à justiça punir os responsáveis pelos crimes de injúria racial. A alegria do futebol não poderá mais ser manchada por alguns que querem fazer valer sua forma de entender o mundo.

Histórias como essas entram na veia, por isso sou negrão! Como diz na belíssima música de Rappin Hood: “A liberdade do negro, tanto teve de lutar. O negro não é marginal, não é perigo. Negro ser humano, só quer ter amigo”.

(Sou negrão) https://www.youtube.com/watch?v=c6erEPX5MUM

Eduardo Augusto

03/09/14

 

 

 

 

                                                                      

Anúncios