Um raio vívido

circulos concentricos

Eu estava no aeroporto. Uma menininha loirinha, de uns dois anos de idade, de cabelos cacheados e vestida com uma camisa amarela do Brasil, corria de lá para cá com toda alegria. Seus pais e seus avós a acompanhavam, sem cercear sua liberdade e ela era acolhida por eles.

Convenhamos, aeroportos são lugares frios, onde quase não há trocas e pessoas pouco se olham; ainda mais, nestes tempos tecnológicos.

O nome do nosso país em letras verdes… Nessa hora me lembrei dos versos: “Brasil, um sonho intenso, um raio vívido, de amor e de esperança à terra desce”…

Tive vontade de entrar naquele círculo, perguntar o nome da criança, quem sabe, dizer umas poucas palavras, agradecer. Eu havia me esquecido que já estava num círculo.

31/08/15


Das coisas que ainda não sei

De mão de tinta

Há dias o pintor trabalhava em nossa casa. Num fim de tarde, olhei para a porta e disse para ele:

_ Nossa, ficou muito bonita!

_ Eu não terminei ainda! Falta uma demão de tinta!

Eu que nem fazer bolinho de chuva, ou mesmo trocar um chuveiro, descobri naquele dia que a beleza está além das aparências…

23/08/15


Uma pratinha

Esmolas

Sempre que posso dou dinheiro na rua para mendigos. Sei que talvez isso não seja bom, mas, se me pedem digo: toma! Talvez por esse motivo já tenha vivido situações inusitadas.

Outro dia, sentado no banco de uma praça, uma moça veio passando por mim e me fez uma pergunta que não entendi.

_ O que você disse?

_ Depois, você me dá uma pratinha?

Balancei a cabeça concordando, mas, ela continuou seguindo em frente! Não mais a vi; mas, a expressão usada por ela, para mim, é repleta de significado.

19/08/15


Ler e viver

Livros

Desde pequenas, as crianças, de certa forma, já começam a se afastar da leitura. O motivo é simples: as interpretações de texto cobradas pela escola.

As perguntas elaboradas exigem respostas “ao pé da letra” o que fará com que elas tenham de retomar o texto. Claro, na maioria das vezes, isso é muito chato de fazer.

Uma boa história fala por si trazendo todo o seu encanto.

18/08/15


Histórias da Luz

luz 4

No ano passado minha filha trouxe da escola uma fotografia de muitos olhos. Eram das crianças da sua sala.

O exercício era perguntar para o pai e a mãe qual era o olhar do seu filho (a). Havia uma grande semelhança em todos eles, mas, tanto eu, quanto a Ana, acertamos de primeira quais eram os olhos da Clara.

(…)

Certa vez eu voltava para casa, altas horas da madrugada, lá em Ouro Preto. Conversávamos, eu e um primo, quando, de repente, todas as luzes da cidade se apagaram e assim permaneceram por muitas horas. O contorno daquelas igrejas e casarões se destacava diante daquele fundo estrelado. Nós e as outras pessoas que por ali passavam, ficamos a admirar aquele momento único!

(…)

Para uns ele “não bate bem”, para outros que o conhecem, ele é o Juninho. Verdade é que, todos os dias, no fim da tarde, ele aparece na padaria, simplesmente para ver o dono acender as lâmpadas do estabelecimento. Como é um local antigo, o interruptor fica bem ao alto e é necessário usar uma espécie de alavanca para acionar o dispositivo. Assim que ele faz “clack”, o Juninho grita todo feliz pra todo mundo escutar: acendeu, acendeu! E, às vezes, pergunta para quem está perto: você viu? Acendeu!

Acreditem, é algo contagiante! E os funcionários, mesmo participando dessa cena todos os dias, sorriem diante desse instante luminoso. Nós, também.

04/08/15


Içami Tiba

Içami

Soube há pouco da morte do médico e educador, Içami Tiba. Fará falta com certeza.

Levei um bom tempo para ler o seu mais conhecido livro “Quem ama, educa”, mas, quando o fiz, me surpreendi muito; sobretudo, com o que estava nas estrelinhas: finas percepções sobre o ato de educar e vindas de alguém que, certamente, era um grande observador da alma humana.

Fica o seu legado.

Deixo aqui esta bela reflexão de uma de suas obras:

“Não olhe as pessoas só com os seus olhos, mas olhe-as também com os olhos dela”.

02/08/15