Mudar o mundo

mundo

Há uns anos atrás participei de um seminário sobre a obra de Kierkegaard na Faculdade de Filosofia da UFMG. Nosso professor achava interessante que ficássemos todos em círculo, a fim de que pudéssemos conversar e debater de uma maneira proveitosa. Como eu chegava cedo ao local,  dispunha as cadeiras dessa forma.

Um manhã, após montar aquela configuração, olhei para a sala e pensei: se sou capaz de provocar essa pequena mudança “no mundo”, quantas mudanças posso realizar!

Nesse mesmo dia, todos a postos, antes de começar a aula, o professor olhou para mim e me perguntou:

_ É você que está dispondo as cadeiras em círculo para o nosso seminário, não é mesmo?

_ Sim, sou eu!

Ele sorriu e disse: Obrigado!

É importante pensar como somos afetados pelo meio que nos rodeia e como afetamos também esse mesmo meio, através de nossas palavras, sentimentos, pensamentos e gestos.

Eduardo  

01/06/14

Anúncios

Inofensivas balas

Pleno vôo

O mundo nunca mais foi o mesmo depois da descoberta da pólvora. E jamais foi o mesmo depois que inventaram as armas de fogo.

Um dia, conversando com um amigo, policial e instrutor de tiro, fiz a ele diversas perguntas sobre o significado de se atirar em alguém. Até que, num determinado momento ele me convidou para um treinamento. Passada a euforia inicial, que deve ter durado uns poucos minutos, eu me arrependi de ter aceito o convite. E não pensem vocês que fui lá empunhar uma arma. No dia seguinte, disse a ele que realmente eu não tinha condições de fazer aquilo. Nem mesmo como treinamento.

Em 1835, um jovem americano de 21 anos, chamado Samuel Colt, realizou aquele que é considerado um dos maiores feitos da história mundial, aumentando enormemente as possibilidades belicistas. Os armamentos existentes até então disparavam apenas uma munição por recarga, e passaram a fazê-lo com 5 ou 6  munições. No tempo em que ele era marinho, num momento contemplativo, ao observar o funcionamento do eixo tracionador de um navio, ele teve a “brilhante” idéia de anexar à arma de fogo, um tambor que, após efetuado um disparo, girava e recarregava a arma, deixando-a pronta para um novo tiro. Como dizia a minha avó: “cabeça vazia, oficina do diabo!” Samuel Colt tornou-se rapidamente um rico fabricante de armas. O revólver inventado por ele recebeu o seu nome. E até mesmo um slogan com a nova patente exaltava seu valor: “Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais”.

Os noticiários de hoje dão notícias de balas perdidas. Sim, elas não encontram o alvo perfeito. O inimigo. Nem mesmo ele deveria ser alvejado. Pelo menos, tudo deveria ser feito para assim evitá-lo. E fico aqui pensando em milhões de vidas que se perderam ao longo de tantos anos, em decorrência do uso dessas armas. Alguém puxa um gatilho. Terrível engenho, projétil disparado a 700 km/h, capaz de ferir gravemente, de matar. Nem é bom pensar.

Em 1854, na região da Criméia, na Rússia, um caçador ucraniano descobriu num campo de batalhas, um raro artefato: dois projéteis (um disparado por um soldado francês e outro por um russo, colidiram em pleno vôo. Para os pesquisadores a probabilidade de isso acontecer é de um em um bilhão. E encontrá-los também, foi um grande lance de sorte.

Duas balas viajando a uma velocidade incrível. Chocando-se no ar e caindo naquele lugar perdido do mundo.  Inofensivas balas sobre a relva.

Na foto, um dos projéteis encontrados.

Fontes de consulta: Wikipédia e Imagens Históricas.

Eduardo

07/06/13


Marie Curie, uma mulher à frente do seu tempo

Marie Curie 3

Marie Curie nasceu na Polônia em 1867 e, ainda jovem, matriculou-se no curso de Ciências da Sorbonne, em Paris. Lá permaneceu durante muitos anos, até conhecer seu futuro marido, o cientista francês Pierre Curie. Tal como ela, um apaixonado pelas pesquisas científicas. Admirava-lhe ter encontrado uma mulher encantadora que dominava a linguagem técnica e as mais complicadas fórmulas. Casaram-se e foram viver juntos na capital francesa, em um pequeno apartamento. Tiveram uma filha de nome Irene e que mais tarde escreveria a biografia de sua mãe.

Até fins de 1897, Marie já tinha obtido dois diplomas universitários e interessava-se agora em fazer um doutoramento. Interessou-se pela pesquisa de Antonie Becquerel, que descobrira que os sais de urânio emitiam espontaneamente, sem exposição à luz, raios de natureza desconhecida. Era a primeira verificação do fenômeno que Marie viria a batizar de radioatividade. Enquanto investigava os raios provenientes do urânio, descobriu no sótão da Escola de Física, onde realizava suas pesquisas, que outro elemento também emitia espontaneamente  raios semelhantes.  Era o tório. De onde provinham então essas irradiações anormais? Nas suas experiências ela examinou todos os elementos químicos conhecidos. Com o auxílio de seu incansável marido, começaram a separar e a medir a radioatividade de todos os elementos contidos na pecheblenda, um minério de urânio. Em 1898, o casal anunciou o descobrimento de uma dessas substâncias, batizada de Polônio, em homenagem à terra natal de Marie. E em dezembro do mesmo ano, anunciaram a existência do rádio, dotado de enorme radioatividade. Faltava descobrirem o seu peso atômico, o que aconteceu quatro anos depois.

Em prol da ciência viveram uma vida austera, sem luxo, dedicando-se por horas a fio à pesquisa, sem nem mesmo comer ou dormir direito, para provarem suas descobertas, assim deixando um importantíssimo legado à humanidade. Tamanha exposição à radioatividade custou-lhes a saúde. Graças a esses dois maravilhosos cientistas, o rádio passou a ser usado no combate ao câncer, deixando de ter um simples interesse experimental. Negaram-se a patentear suas descobertas por saberem que contribuiriam de alguma forma no combate a essa temida doença. Em 1903, a Academia de Ciências de Estocolmo, anunciou que o Prêmio Nobel de Física  seria dividido entre o casal Curie e Antonie Becquerel em reconhecimento por suas descobertas da radioatividade.

Em 1906, Pierre veio a falecer, devido a um atropelamento. Esse acontecido marcou profundamente à sua querida esposa. Em março do mesmo ano, o Conselho da Faculdade de Ciências decidiu por unanimidade , outorgar à viúva a cátedra que havia sido ocupada pelo marido na Sorbonne. Esta era a primeira vez que a uma mulher era concedida alta posição no ensino universitário. Em seu primeiro dia de aula na faculdade, foi ovacionada por uma plateia de estudantes ávidos por seu conhecimento e certos de que estavam diante de uma inigualável cientista. Em 1911, ela recebeu o Nobel de Química. Durante mais de cinquenta anos, não houve mais ninguém a receber o prêmio por duas vezes. Foi a única pessoa a receber o Prêmio Nobel, em áreas científicas distintas. Ao longo dos anos, condecorações, títulos e diplomas foram-lhe concedidos de diversas universidades americanas e européias por seu incansável trabalho de pesquisa.

Em maio de 1934, acometida por uma gripe, teve de recolher-se. Durante mais de 35 anos manejara o rádio, respirando o ar das emanações de elementos radioativos. Os exames viriam a dar a causa de sua morte: leucemia por exposição excessiva ao rádio.

“O elemento 96 da tabela periódica, o Cúrio, símbolo Cm foi batizado em honra do casal Curie.

No dia 7 de novembro de 2011 recebe homenagem na página inicial do motor de busca Google por seus 144 anos desde a data do seu nascimento através de um Doodle comemorativo que ainda se encontra disponível em seu histórico de Doodles.

Eduardo

20/03/13


Tem de ser assim

Há certas coisas na vida (e não são poucas) que têm de ser assim e não de outro jeito. Exemplo: dormir bem, não se estressar tanto, cuidar do que nos diz respeito, alimentar-se de maneira saudável comendo regularmente frutas, verduras, legumes e carboidratos na medida certa. Além disso, comer devagar saboreando lentamente. Não abusar do sal e nem do açúcar branco, fazer atividades físicas, ter momentos de lazer. Hoje em dia, tudo isso é tão óbvio, mas o óbvio está a um palmo do nosso nariz, não é mesmo?

Por isso, se alguém quiser ter mais saúde, tem de ser assim. Haja disciplina, mas ela faz bem!

 Eduardo

01/04/12


Emoção

“O melhor meio de ser feliz nessa vida é poder considerar sempre exteriormente, nunca interiormente”.

Gurdijieff

Lembrei-me por esses dias do trecho da famosa música: “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”.  Somos seres emocionais desde muito tempo… Etimologicamente a palavra emoção significa mover para fora. Por isso, elas são auto-evidentes. No fundo, é bem difícil escondê-las ou, não demonstrá-las. Somos seres sensíveis.

Às vezes as emoções afloram de tal maneira, que fica quase impossível se manter no comando da situação.  Mesmo contra a vontade da pessoa, elas se apossam de sua mente e do seu coração e podem fazer um considerável estrago. Exemplos disso são a raiva ou a mágoa, emoções que estão sujeitas a frequentarem nossas vidas, com alguma regularidade, em diversos níveis de manifestação.

É fácil observar que algumas pessoas são mais rancorosas que outras, ou mais raivosas, o que certamente lhes trazem algumas dificuldades. Muitas vezes elas fazem questão de dizer: “eu não sei fingir!” Outras ainda sabem ocultá-las um pouco melhor.

Existem diversas teorias que explicam as emoções. Há ainda quem afirme que seja possível (totalmente possível) controlá-las por meio da vontade e existem técnicas para isso. O objetivo desses exercícios seria desenvolver no ser humano uma maior autonomia. Segundo essas teorias, não somos nós que temos emoções, são elas que nos têm! Interessante não é mesmo?. Faz refletir. As pessoas e as situações têm o poder de levar-nos do riso às lágrimas o que poderia gerar algum desgaste desnecessário. Daí também, a teoria da inteligência emocional. Fazer com que as emoções trabalhem a nosso favor para assim vivermos melhor e com mais harmonia.

O que seria da vida sem as emoções? O compositor está certo.

Eduardo

17/01/12


Disconnect to connect

Você já esqueceu o celular em casa? É uma sensação muito desconfortável, como se o mundo fosse te ligar… e você, claro, não tem como atender!

Ontem andando num shopping, fiquei impressionado com a quantidade de pessoas acessando seus aparelhos por toque. Esta é mesmo uma época de compartilhamentos. Ficamos à espera de um email, um comentário no Facebook, alguma novidade a cada minuto. Onde chegaremos? Não tenho a resposta.

Há uns meses atrás recebi aquele pequeno filme: Disconnect to connect. Super bem feito, simples e belo. Dá um recado interessante.

Eduardo

11/01/12

 http://www.youtube.com/watch?v=oHp4k3zwr0s


A polenta e a ordem dos fatores

Minha esposa Ana,  aprendeu um jeito diferente de fazer polenta com meu tio João. Padeiro durante muitos anos, ele aprendeu muitos segredos da culinária. Tamanha simplicidade a deixou surpresa, já que essa delícia capixaba levava bem mais tempo para ficar pronta. Na cozinha, a ordem dos fatores altera o produto!

Escrevo esta crônica para falar do caos em que tantas vezes nos sentimos mergulhados. Turbilhões de pensamentos, excessivas preocupações, noites mal-dormidas… E junto disso, muita pressa para falar, dirigir, ou andar… O mundo precisa de um pouco mais de calma, como disse o compositor.

Como é importante a ordem. O máximo de coisas possíveis no seu devido lugar nos permite lembrar o lugar de guardar.  Às vezes some a chave, a
carteira, o celular, ou algum documento muito importante. Às vezes, sumimos  perante nós mesmos, os outros, debaixo de tantas pressões; e reaparecemos com  tristeza e desânimo. Como é importante ter ordem. Viver com mais consciência, mais esperança, mais fé e saúde. Quem sabe
mudando o foco da questão.

Quando eu era adolescente, gostava muito de química. Em minha memória ficaram registradas dezenas de fórmulas. Certa vez, me deparei com uma definição de entropia que nunca mais esqueci…entropia para quem não sabe, é um estado de desordem das moléculas. O universo
está em entropia, caminhando para a desordem, para um estado de desagregação segundo os estudiosos. Lá estava no livro a definição que nunca mais esqueci:  entropia é como você entrar numa biblioteca, tirar um livro da estante e não recolocá-lo no lugar. Imagine então muitas pessoas fazendo a mesma coisa e a biblioteca estará em pouco tempo uma bagunça. Depois que li essa definição sempre me incomodava com os dizeres colados nas estantes: “Favor não recolocar os livros no lugar. Temos pessoas para realizar esse trabalho.” Muitas vezes deixava o livro largado, em outras, marcava direitinho o lugar de onde o tinha retirado, colocava de volta e, aliviado, saia sossegado. Fiquei com medo da entropia.

Confesso que ainda deixo muitas coisas esquecidas: uma tampinha de refrigerante em cima da pia e a garrafa aberta, uma escova de cabelos no sofá, um álbum de fotos na beirada da mesa, uma toalha de banho sabe-se lá onde. Fico pensando como é bom saber o lugar de cada coisa que
nos pertence nesse grande universo da vida, onde tantas coisas se perdem e se misturam, dentro e fora de nós. Às vezes, é preciso juntar, reunir o melhor que temos; outras vezes, separar, desaglutinar velhos hábitos, ou crenças cristalizadas. Com certeza existe uma hora para tudo.

Eduardo
Augusto

27/01/11

Dedico esse texto ao meu amigo
Lucas Augusto, economista de formação, matemático por profissão.