Primeira comunhão

ouro-preto-conceicao

Em Ouro Preto – MG, respira-se religiosidade. Não importa tanto se estamos no século XXI. Nas ruas, becos e vielas, nas igrejas e capelas, pode-se adentrar num tempo antigo, mas que se renova pela fé que desperta. No silêncio de suas noites, no vento frio de suas manhãs, os fiéis vem se lembrar do Criador e fazem uma prece ao amado Salvador.

Faça sol, faça chuva, muita gente vai à missa de domingo. Corações em júbilo,  retornam as suas casas para o almoço em família.

A 1ª comunhão das crianças é um acontecimento único, desde as aulas de catequese. Receber Jesus no coração, escolher a madrinha, vestir-se de branco.

Os meses vão se passar. Preparação. No dia tão especial, dentro da igreja: uma vela branca acessa para lembrar a Luz; o terço; o livrinho; a alegria contida; olhinhos que brilham. A hóstia. O corpo de Cristo. Silêncio e paz. Uma nova vida: longe do medo e da dúvida.

Tocam os sinos, cantam os anjos. Papai, mamãe, irmãos, avô, avó, tios, tias, primos, vizinhos vem abraçar. A pequena criança mais uma vez é acolhida com amor!

É primeira comunhão! Dia de festa, comida gostosa na mesa, bolo enfeitado feito com carinho!

Eduardo 

29/06/14


Paciência

Pra passar roupa, paciência, pra passar fio dental, paciência. Pra esperar o elevador, paciência. E no trânsito, então? Paciência. E pra mastigar bem mastigadinho? Paciência. Pra escutar uma pessoa. Paciência.

Nas horas difíceis, mais fácil tê-la. Nobre virtude que nos revela que, pra cada hora, uma coisa. E que nos abre para o tempo de espera!

Eduardo.

10/03/14

Passando roupa


A fé que desperta

Ave Maria

Todos os dias às 6 horas da tarde, na igreja ao lado do colégio onde estuda minha filha, toca a Ave-Maria. A música pode ser ouvida de diversos pontos do bairro, mesmo a uma distância considerável.

Um dia desses, a esta hora, eu estava numa pracinha, sentado ao lado de dois senhores. Quando começou a Ave-Maria, um deles parou de falar por breves segundos e tirou o chapéu em reverência àquele instante. Fez isso com a naturalidade de quem traz a fé em seu coração.

Estava eu hoje num posto de gasolina, quando vi um dos frentistas retomar o seu turno de trabalho; não sem antes tirar o boné e fazer o sinal da cruz. Ele precisava contar com as bênçãos de Deus para lhe dar forças.

Momentos de devoção em meio ao agito das ruas. Sinais da fé a nos lembrar de algo maior.

Eduardo Augusto

19/02/14


O pão nosso de cada dia

Multiplicação dos pães

Quando me lembro do pão, esse alimento milenar, doces memórias me vêm à mente. Meu tio João era dono da única padaria do bairro de Antonio Dias em Ouro Preto-MG. Para a alegria dos turistas e, principalmente dos estudantes, por volta das 5 da manhã, era possível bater na portinha dos fundos e comprar pães recém-saídos do forno. Vez ou outra ele ainda arranjava uma manteiguinha para completar a felicidade dos famintos. A fama do meu tio se espalhou, como o cheirinho dos pães que ele assava. Nos festivais de inverno da cidade, corria a boca pequena: Vamos ali na padaria do Seu João! Tá na hora do pão!

Outra cena que me lembro é a de Jesus e seus discípulos alimentando a multidão que o seguia. Conta-se nos Quatro Evangelhos, que o Messias alimentou uma multidão de 5 mil homens, entre  mulheres e crianças, tendo apenas 5 pães e 2 peixes. Ele então, ordenou ao povo que se sentasse na grama, tomou em suas mãos aqueles alimentos e, olhando para o céu, agradeceu. E os deu aos discípulos e eles os deram para o povo. E todos puderam comer e se satisfazer, sobrando ainda aos discípulos, doze cestos com pedaços de pão.

Que espetáculo maravilhoso deve ter sido aquele momento, que nem mesmo exercitando a imaginação conseguimos alcançar! Tantos rostos de felicidade a saciar a fome física e espiritual.

Sagrado pão de cada dia, dai-nos hoje…

Dedico esse texto ao meu Tio João Valentim.

Eduardo

02/06/13


Inspiração

montanha-universo-01

O universo não conspira. Inspira.

Eduardo

10/04/13


Helen Keller

Helen Keller

Helen Keller nasceu em 1880 no estado do Alabama, EUA. Até os dezenove meses foi uma criança normal. Por essa época, contraiu uma febre intensa, atribuída provavelmente à escarlatina. Depois de se recuperar de forma rápida, sua mãe começou a notar que ela não fechava normalmente os olhos. Pouco tempo depois, sua cegueira foi diagnosticada, bem como a surdez, o que contribuiu evidentemente, para que ela também não aprendesse a falar. Helen era cega, surda e muda desde os primeiros anos de sua infância.

Ela cresceu, porém, seu caráter originalmente meigo e sereno, dissolvia-se em ataques de fúria, sempre que não conseguia fazer-se entender. Atirava-se ao chão em incontroláveis gritos e gemidos, como se fosse um animal. Seus pais sofriam enormemente ao vê-la assim, sem saber o que fazer. A mãe, impotente perante tanta fúria, cedia-lhe em tudo superprotegendo-a. Anos mais tarde, já uma conhecida escritora, Helen escreveu: “Sentia que mãos invisíveis me prendiam e fazia esforços desesperados para me libertar”.

Quando sua mãe se encontrava à beira do desespero, soube por meio de uma instituição de nome Perkins, localizada na Inglaterra, que uma especial professora, recém-diplomada, uma jovem irlandesa chamada Anne Sullivan, poderia auxiliá-los. Esta jovem que por muitos anos de sua vida passara por terríveis privações, chegou cega a essa instituição, devido a um tracoma, mas, graças a duas cirurgias que fez, voltou a enxergar, tornando-se mais tarde professora de cegos.

Ao chegar ao Alabama, Anne Sullivan surpreendeu-se com a inteligência que irradiava do rosto da pequena Helen.  Esta acorreu-lhe até a carruagem logo que Anne desceu; tateou-lhe o vestido e o rosto e quis abrir-lhe a mala. Sua preceptora tirou então de dentro dela, uma boneca que os alunos da Perkins haviam enviado à menina e deu-lhe de presente. Ela se acalmou  imediatamente e pôs-se a brincar. Anne soletrou em sua mão a palavra b-o-n-e-c-a. Isto para Helen era algo insólito e atraiu sua atenção ao tentar imitar os movimentos dos dedos de sua nova preceptora. Foi o primeiro esforço consciente para ensiná-la alguma coisa. Com o passar dos dias, foram viver apartadas de seus pais, morando numa pequena casa ao lado.

Durante as primeiras semanas, travou-se entre as duas uma feroz batalha de vontades. Foi uma luta física e mental de que Anne Sullivan triunfou, ainda que por diversas vezes tivesse que dominá-la à força para vencer sua tenaz resistência. Dizia sua professora: “Seu espírito inquieto tateia nas trevas. Suas mãos nunca satisfeitas, destroem tudo o que tocam, porque não sabem o que fazer às coisas.”

Em pouco tempo, Sullivan era capaz de perceber pequenas mudanças nas pupilas de Helen e que expressavam seus desejos.  Ao fim de duas semanas, um raio de luz despontou. Sua preceptora levou-a até uma fonte e acionou uma bomba para encher um jarro de água. Quando a água começou a cair no jarro e sobre a mão da menina, Anne soletrou a palavra á-g-u-a na outra mão.  A palavra, tão imediata à sensação da água fria que lhe corria sobre a pele, pareceu-lhe surpreendê-la. Seu rosto se iluminou. Helen recordaria para sempre este acontecimento com as seguintes palavras: “Fosse como fosse, o misterioso segredo da linguagem revelou-se-me naquele instante. Descobri que água significava aquela coisa deliciosamente fresca que me tinha corrido pelas mãos. Aquela palavra viva acordou meu espírito: deu-lhe luz, esperança, alegria e o pôs em liberdade”. Helen regressou à casa de seus pais em visível estado de agitação. Tocava em tudo ao andar e de tudo queria saber o nome. Agora entendia que a cada coisa correspondia um nome e queria conhecê-lo. Seu vocabulário aumentou enormemente, num curto espaço de tempo e com uma rapidez surpreendente. Gritava de alegria a cada descoberta, abraçava e beijava sua professora.

Na primavera de 1890, ouviu falar de uma menina norueguesa, cega, surda e muda que aprendera a falar. Imediatamente soletrou nas mãos de Anne Sullivan “Tenho que falar.” Ela a levou à Escola de Surdos Horace Mann, em Boston onde aprendeu a sentir a voz humana através do toque nos lábios e na garganta de seu interlocutor, e pôde assim aprender, a repetir  letras e sílabas. Até os 10 de idade ela emitia apenas os sons roucos dos mudos. Dedicou-se a aprender a falar durante semanas, meses e anos, aperfeiçoando sua pronúncia. Depois de algum tempo de treino, tornou-se expert em ler nos movimentos dos lábios, por intermédio das suas vibrações.

Aprendeu sozinha o braille, identificando o que era uma letra no novo alfabeto, aprendendo assim a formar novas palavras. Aos dez anos, lia com avidez pelo método, chegando a sangrar a ponta de seus dedos e conseguia se comunicar com seus semelhantes através do alfabeto dos mudos. Helen e Anne Sullivan tornaram-se grandes amigas, amizade que perdurou por meio século. “O dia mais importante de toda minha vida foi o da chegada de minha professora Sullivan. “Fico profundamente emocionada, quando penso no contraste imensurável de duas vidas que se juntaram. Ela chegou no dia 3 de março do 1887, três meses antes de eu completar 7 anos. Belos dias como aqueles fizeram o meu coração bater ao compasso de uma música que nenhum silêncio poderia destruir. Era maravilhoso ter ouvidos e olhos na alma. Isto completava minha glória de viver”.

Na instituição Perkins ela leu muitos livros em braille, estudando sistematicamente geografia, aritimética, zoologia, botânica e outras disciplinas. Quando viajava junto à sua preceptora, esta soletrava-lhe na mão as descrições do que ia vendo:  paisagens, montanhas, rios, aldeias, cidades, o aspecto das pessoas, seu modo de vestir. Helen tornava-se pouco a pouco, uma linda jovem, cheia de encanto, sensibilidade e espírito.

O passo seguinte seria sua educação universitária. Estudou em Cambridge, no estado de Massachusetts, onde recebeu intensa instrução, tendo sempre ao seu lado, sua querida preceptora que incansavelmente dava-lhe as lições, dedilhando-as em suas mãos. Helen, não podia tomar notas, pois elas estavam ocupadas em “ouvir” e nesse ponto, o método Braille auxiliava e muito, principalmente, durante a época dos exames. Licenciou-se em inglês e filosofia, recebendo menção honrosa. Sua fama pouco a pouco, se espalhou e ela começou a receber convites para que contasse sua história de sua superação “das trevas de seu mundo” e de como chegou aonde chegou. Sua professora também era convidada a falar sobre como tinha procedido na educação de sua discípula. Viajaram por diversas partes do mundo convidadas a darem conferências e receberam também, títulos e condecorações ao redor do planeta.

Por maiores que fossem seus interesses, Helen Keller nunca esqueceu as necessidades das pessoas cegas e surdo-cegas. Desde sua juventude, trabalhou pelo bem estar dessas pessoas, comparecendo perante governos e autoridades de diversas nacionalidades, dando conferências, escrevendo livros e artigos e, sobre­tudo, pelo seu exemplo pessoal de perseverança.

Com o passar dos anos, a saúde de sua preceptora, quase cega novamente, piorava; vindo a a falecer em 1953. Nesse mesmo ano, foi-lhes outorgado a maior condecoração americana, A medalha Roosevelt, por feitos de caráter único e alto significado.

Também no ano de 53, Helen Keller esteve no Brasil, a convite oficial do governo brasileiro e da Fundação para o Livro do Cego. Realizou visitas e palestras no Rio de Janeiro e em São Paulo, dando grande impulso à educação e à reabilitação de cegos no Brasil. No Hospital dos Clínicas, na capital paulistana, falou para doutores e estudantes dos departamentos de oftalmologia e otorrinolaringologia onde estiveram presentes cerca de 550 pessoas. Nesse local, alguém perguntou a ela:

_ O que a senhora mais gostaria de ver, se Deus lhe desse a visão por cinco minutos? E ela respondeu:

_ As flores, o pôr do sol e o rosto de uma criança!

Helen faleceu em 1968, aos 88 anos. Foi uma mulher profundamente espiritual e sua fé sempre a acompanhou. Durante suas horas de repouso, terminadas suas ocupações diárias, voltava-se ao profundo silêncio que só os cegos-surdos-mudos conhecem.

“Espero feliz, a chegada do outro mundo, onde todas as minhas limitações cairão como grilhões; aí encontrarei minha querida professora e me dedicarei a um trabalho muito maior do que aquele que até agora conheci.”

Sua vida continuará sendo um estímulo extraordinário a todos que  conheceram sua história.

Helen1

Helen Keller lisant le braille c

Helen Keller (1880-1968)

Eduardo Augusto

28/03/13


O começo do mundo

Estrelas 2

“Desde o começo do mundo que o homem sonha com a paz. Ela está dentro dele mesmo. Ele tem a paz e não sabe. É só fechar os olhos e olhar pra dentro de si mesmo”.

Roberto Carlos. Todos estão surdos.

Difícil acreditar que o mundo acabará daqui a 3 dias. Temos tanto a fazer… talvez ele acabe um dia por causa da guerra, porque estamos destruindo as florestas e todos os habitats naturais, por causa da ganância e da ignorância humana.

“E Deus fez a Terra e viu que a Terra era boa e descansou”. Aqui ficamos, lutando, “comendo o pão com o suor do nosso rosto”.

Quanto mais corremos, mais nos exaurimos. Não temos tempo pra comer, tempo pra respirar, tempo pra dormir. Verdade seja dita, nem tempo pra viver. Apenas sobreviver.

Falta-nos essa preciosa qualidade chamada paz. É muita turbulência pra pouco coração. Não que não sejamos capazes de amar, de nos doar. Mas, estamos preferindo muito mais nos machucar. Pura inconsciência de tanta gente sofrida.

Que em 2013 sejamos muito mais tolerantes, bem mais preocupados com o outro, com o planeta. Mais ligados nas estrelas. Menos estressados e arrogantes, menos impacientes e orgulhosos.

Que o Novo Ano que se inicia seja de mais paz, pois “a paz é a gente que faz!” Onde ela está presente acontece o amor, clareia a luz!

Eduardo

18/12/12