O Silêncio

Paisagens

“Um cheiro de café, sombra no pomar,
as crianças a cantarolar,
sino que bateu, gente que chegou…
Um passeio pelo interior…”

14 Bis.

Estive viajando recentemente pelo interior. Chamou minha atenção o silêncio das cidades que visitei. Conseguia sem nenhum esforço, escutar o canto dos passarinhos durante o dia, o latido de cachorros a longas distâncias, durante a noite. Isso sem falar no canto do galo. Um canta, o outro responde laaá longe. Vi a lua, senti a brisa, acompanhei estrelas.

Que bem faz o silêncio! E isso a gente só sente, quando tem a oportunidade de escutar a vida, de ver que toda essa velocidade desses tempos atuais pouca falta faz.

http://letras.mus.br/14-bis/43909/

Eduardo

07/01/13

Dedico este texto à minha esposa, Ana.

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“Ora direis ouvir estrelas…”

cielo estrelado

Uma pessoa me contou recentemente a seguinte história. Ela viajava de carro por uma estrada, acompanhada de mais duas pessoas, quando passaram por dentro de um canavial. Tanta era a escuridão, que se via o cintilar prateado das estrelas. Querendo sentir mais de perto o céu, solicitou ao motorista que parassem a viagem por alguns momentos, apagassem os faróis e usufruíssem de tamanha beleza. Porém, antes de abrir a porta do carro, percebeu que o condutor estava empunhando um revólver. Perguntado sobre o que fazia àquela hora contemplativa com uma arma na mão, respondeu: “Você acha que eu vou descer aqui, assim, desprevenido?”

Não se escutou nenhum tiro, graças a Deus.

Como disse o poeta Olavo Bilac: Que sentido tem o que dizem, quando estão contigo? E eu vos direi: “amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e  de entender estrelas”.

Eduardo

06/01/12.


O começo do mundo

Estrelas 2

“Desde o começo do mundo que o homem sonha com a paz. Ela está dentro dele mesmo. Ele tem a paz e não sabe. É só fechar os olhos e olhar pra dentro de si mesmo”.

Roberto Carlos. Todos estão surdos.

Difícil acreditar que o mundo acabará daqui a 3 dias. Temos tanto a fazer… talvez ele acabe um dia por causa da guerra, porque estamos destruindo as florestas e todos os habitats naturais, por causa da ganância e da ignorância humana.

“E Deus fez a Terra e viu que a Terra era boa e descansou”. Aqui ficamos, lutando, “comendo o pão com o suor do nosso rosto”.

Quanto mais corremos, mais nos exaurimos. Não temos tempo pra comer, tempo pra respirar, tempo pra dormir. Verdade seja dita, nem tempo pra viver. Apenas sobreviver.

Falta-nos essa preciosa qualidade chamada paz. É muita turbulência pra pouco coração. Não que não sejamos capazes de amar, de nos doar. Mas, estamos preferindo muito mais nos machucar. Pura inconsciência de tanta gente sofrida.

Que em 2013 sejamos muito mais tolerantes, bem mais preocupados com o outro, com o planeta. Mais ligados nas estrelas. Menos estressados e arrogantes, menos impacientes e orgulhosos.

Que o Novo Ano que se inicia seja de mais paz, pois “a paz é a gente que faz!” Onde ela está presente acontece o amor, clareia a luz!

Eduardo

18/12/12


Memória de Elefante

Jotalhão

Não tenho memória de elefante e se depender da agenda do celular ou do provedor de email estará relegada ao ócio.

Resolvi um dia desses usar o recurso via email. No horário programado, ele disparou para me lembrar de uma consulta médica da minha filha. Bem no cantinho esquerdo aparecia a pergunta? Vai? Achei graça. Despretensiosa formulação. Ao lado, esperando o meu clique, as palavras Sim -Talvez -Não -Outras opções. Que outras opções terei fiquei me perguntando sem fazer essa última escolha.

Foi-se o tempo em que podíamos confiar mais em nossa memória, na cadernetinha de bolso, na nossa mãe ou no nosso pai a nos lembrar de tantas coisas. Nesse mundo da pressa, é mais fácil guardar o que for necessário usando apenas as pontas dos dedos.

Que outras opções terei senão ser um homem do meu tempo, das redes sociais, da foto revelada na hora, da comunicação instantânea com um amigo de minha longínqua infância ou com meu colega de trabalho bem ao lado. Que outras razões terei para me lembrar que o mundo já foi diferente, que o tempo passava mais devagar…

Sim, vou à consulta. Nem precisa me lembrar, muito menos perguntar de novo!

Eduardo

11/12/12


Que mundo maravilhoso!

Madagascar foi o desenho animado que mais vezes assisti. Acho que umas 50. Não pensava que isso fosse possível, mas por causa da minha filha Clara, foi bem divertido. Até hoje, quando o revejo, descubro algum detalhe novo que antes, não havia percebido. É uma obra-prima. Me marcou a cena em que o leão Alex, resolve se esconder dos seus amigos na densa selva, por ter descoberto sua ferocidade. Ele havia vivido a maior parte de sua vida no zoológico, até chegar àquela ilha perdida e descobrir-se uma fera. É incrível que os autores, produtores tenham escolhido a música “What a Worderful World”. Isso criou um contraste muito especial, pois todos os personagens ali, naquele momento, se sentem diante de um mundo ameaçador. Como nós, muitas vezes.
Aqui a cena. É isso. Abraço.
http://www.youtube.com/watch?v=320iRHo-9RY
Eduardo
04/11/12.

Na contramão da história

Como descrever aquelas primeiras saídas de carro logo que aprendi a dirigir. Não vou dizer que senti pânico, mas, algumas manobras eram feitas sem muita noção de espaço e quantas coisas me passavam desapercebidas. Um dia meu instrutor de autoescola me disse: _ Você viu que você subiu encima do passeio da garagem daquele senhor? Respondi sem o menor peso na consciência pensando no que viria pela frente: Não! _ Pois é, você subiu e ele tava fazendo o passeio da garagem dele, cimentando! Meu professor, balançou a cabeça incrédulo, com um leve sorriso de ironia. Sim, porque rimos às vezes do que não entendemos _ já disse um filósofo. E para alguém que todos os dias está ao lado de quem não sabe ainda pilotar um carro, ruas são como os corredores de uma casa: algo bem familiar. Impressionava-me perceber como esses instrutores desenvolvem muito bem aquilo que é conhecido como atenção difusa. A capacidade de perceber o todo à sua volta e em movimento.

Acreditem, já parei encima da faixa de pedestres e recebi o olhar mais desaprovador de toda minha existência. Foi quase um tiro de canhão, disparado por uma jovem, seguido das palavras: tá todo errado! A gente ri de sem graça. Outra vez, mais pra confuso que difuso, entrei sem querer na contra-mão de uma rua. Ao perceber este inusitado fato, reconheci numa fração de segundos que, dar a marcha ré estava totalmente fora de cogitação. Fui avançando enquanto recebia de volta piscadas de farol, olhares de indignação, dentre outras reações que só me deixavam mais tenso. Ao passar colado a outro carro e muito, muito sério, o motorista soltou esta ao lado do seu colega passageiro: _ Aí, além de tá errado, fica fazendo cara feia! Sinceramente…!

Tudo isso foi só no começo, diga-se de passagem!  Hoje, já estou dirigindo a favor da história.

 Eduardo

17/10/12.


Começar de novo

Comecei escrevendo poesias na infância e quando estava na 3ª série fiz uma em homenagem ao Dia das Mães que foi rodada num mimeógrafo para toda a escola. Lembro-me nitidamente de receber em minhas mãos o texto e que naquele momento era também entregue a dezenas de outros alunos.

Na adolescência, escrevi milhares de poemas; até que um dia, percebi que todos eles falavam de alguma forma, dessa incompletude que tantas vezes sentimos. Mais na frente, resolvi então rasgar todos aqueles papéis repletos de significados, quem sabe, ocultos; frases subjetivas disparadas em muitas direções. Já disse Ferreira Gullar: “a poesia está em tudo, mas, não todo o tempo!”

Depois disso, fiquei quase uma década sem nada escrever… até que um dia, indo de ônibus para o centro da cidade vi uma cena que me marcou para sempre. Eu estava sentado bem na frente quando um velhinho deu o sinal. Muito devagarinho, muito mesmo, ele desceu cada degrau, enquanto o motorista aguardava pacientemente. Eu e todas aquelas pessoas que ali estavam acompanhávamos também seus movimentos. Era como se o tempo tivesse parado e algo de nossa solidariedade despertasse. Assim que ele alcançou a calçada, virou-se lentamente para o motorista, tirou o boné fazendo um gesto de agradecimento_ reverência por tão bela gentileza; fazendo-nos esquecer que, há pressa na cidade grande . O condutor do lotação respondeu com um singelo sorriso, consentindo com  a cabeça. Decidi a partir daquele instante que precisaria contar esta história e que começaria de novo a escrever, trilhando agora o caminho da crônica, deixando falar com objetividade a voz do coração.

Hoje, dia 19 de agosto, meu blog Maneira Simples, faz um ano! Uma grande alegria para mim! Quase 28 mil visualizações, do Brasil e de outras partes do mundo.

Quero expressar minha gratidão a todas as pessoas que por aqui passaram, aos meus queridos amigos que tanto me incentivaram a publicar meus textos, que comentaram, divulgaram. Bem grato a todos!

Maneira simples:  “Nada é mais real que aprender maneira simples de viver, tudo é tão normal se a gente não se cansa nunca de aprender, sempre olhar, como se fosse a primeira vez, se espantar como criança a perguntar por quês…”.

Grato ao Almir Sater por também ter me inspirado desde de que escutei pela primeira vez sua música!

Um abraço gente,

Eduardo

19/08/12

http://letras.mus.br/almir-sater/868447/