Temos

Passava um dia desses por uma rua quando vi um mendigo lendo um jornal. Ele me parecia bastante interessado. Momentos depois, vinha descendo pela calçada quando o vi ao longe rasgando todas aquelas notícias com uma fúria que era ao mesmo tempo engraçada! Ele pegava algumas páginas, dava uma passada de olhos e, em seguida, fazia picadinho delas. Chegou a chutar algumas! Ao passar bem em frente a ele, li entre toda aquela papelada no chão a palavra Temos.

Pensei: não temos tantas boas notícias para dar. Ou, se as temos, estarão escondidas em meio a um mar de negatividades. Temos gente passando fome? Temos gente sem onde morar? Temos violência, guerras? Astutos ganhando encima de inocentes? Sim, temos.

Tememos nossa própria sorte enquanto o homem for o lobo do homem, como diria o filósofo Thomas Hobbes.

Eduardo

26/09/12

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50%

Há um ditado que diz que “os olhos são a janela da alma”, “o sorriso, nosso cartão de visitas”. Hoje de manhã enquanto aguardava no semáforo vi um rapaz entregando um folheto aos motoristas cujos dizeres tratavam de um desconto. Ele caminhava ao lado dos carros com um sorriso no rosto que chamou minha atenção. Havia nele uma naturalidade, diria até, comovente. E agradecia a cada pessoa que recebia seu pequeno panfleto. Logo ali, de manhã.

Fiquei pensando que talvez ele tenha conseguido esse “trabalho” depois de muito tentar… ou simplesmente, fazia com gosto o que precisava ser feito àquela hora. Começar o dia sorrindo já é 50%.

Lembro-me também dos heróis anônimos por esse Brasil afora. Acordam cedo, pegam ônibus, metrô, ficam horas em pé… constroem uma vida de lutas, têm a coragem e a esperança de dias melhores.

Eduardo

17/01/12


Não pare

Devagar se vai ao longe diz o ditado. Nesses tempos de tanta correria em que se dorme bem menos do que se gostaria, lembro-me agora do início do desenho animado Carros. Uma reflexão sobre disputas, amizade, tempo para os amigos, para as coisas boas da vida. O personagem principal, Relâmpago Mac Quen, antes de entrar na pista de corrida está dentro de um caminhão. Tudo está escuro e ele diz: Eu sou a velocidade, eu sou a velocidade! Muito legal a cena e todo o desenrolar da narrativa.

Dia desses eu passava de carro por uma rua quando avistei uma placa de Pare. Acima do dizer, um Não pixado. Não pare era a mensagem. Talvez alguém quisesse gritar: Não pare, não desista. Assim interpretei. Interessante imaginar que o pequeno infrator tenha realizado quem sabe, um grande feito.

Placas de pare são únicas. Mesmo quando vistas por trás são identificadas em qualquer parte do mundo. Na semana passada avistei uma outra. Abaixo do dizer, também pixados, olhinhos e uma boquinha. Pare sorrindo era a mensagem.

Intervenções urbanas no caótico trânsito das grandes cidades. É quando algum gesto poético tenta nos resgatar de alguma cidade esquecida, chamando-nos para uma pausa, um tempo para o sorriso.

 Eduardo

13/12/11.


O diferencial

Certa vez estava descendo uma rua quando encontrei alguns carros subindo em sentido contrário. Não me restou outra saída a não ser pegar a outra pista, pelo que fui seguido por outros motoristas.

Comecei a descer a via, quando percebi que havia um caminhão parado. O motorista fez um sinal e veio muito sério em minha direção. “Meu filho, o caminhão quebrou o diferencial, não vai nem pra frente nem pra trás! Faz um retorno aí, que eu vou ligar pro seguro!” Em seu olhar havia aflição. Em sua voz, o tom de quem sabe encarar inesperados problemas.

Determinados acontecimentos em nossas vidas fazem uma enorme diferença, por isso às vezes, temos de mudar a rota, seguir por outro caminho. Nem sempre há sinais indicativos, em outros momentos, a neblina está baixa, a visibilidade muito ruim. Mas, é preciso seguir em frente, conquistar esse chão que é nosso. Com coragem e fé de que tudo há de se resolver. Isso será o diferencial. 

Eduardo

12/12/11

Dedicado ao meu amigo Luiz Cláudio Circunde.


Seta

O automóvel é uma invenção maravilhosa. Acho que nunca vou me esquecer quando dirigi um carro pela 1ª vez. Uma feliz sensação de liberdade tomou conta de mim! Com o tempo, fui percebendo que a nem tão falada atenção difusa não era assim uma coisa das mais fáceis de se praticar. E pensar que depois, tudo ficará quase no automático…

Quando se está aprendendo a dirigir, temos de pensar e por isso, a engenhosa máquina parece não nos obedecer, ditando seus caprichos a cada aceleração ou mesmo na hora de frear.

Manobrando um carro temos de ver e vendo aprendemos a olhar. Melhor assim. Evitam-se acidentes. Preservar a vida é fundamental em qualquer época ou lugar!  

Escrevo esta crônica para fazer um elogio à seta do carro. Que invenção! Você já percebeu seu simpático barulhinho ao fazer uma conversão? Tec, tec, tec. É para lembrar que está ligada.

Um pequeno gesto que evitará certamente possíveis transtornos. Realizada a manobra, como que por milagre da inteligência ela desarma. Alguns se esquecem de usá-la! Será?

Até bem pouco tempo atrás não tinha notícias de que a seta estragava. Bela surpresa ao saber através de uma amiga que isso ocorreu  com o carro dela, exigindo de sua parte maior atenção. Mais ainda de quem estava por perto.

Parabéns ao Karl Benz que patenteou o carro e a tantas outras mentes brilhantes que contribuiram para aperfeiçoar essa incrível invenção! Sigamos em frente!

 Eduardo

21/11/11