Histórias da Luz

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No ano passado minha filha trouxe da escola uma fotografia de muitos olhos. Eram das crianças da sua sala.

O exercício era perguntar para o pai e a mãe qual era o olhar do seu filho (a). Havia uma grande semelhança em todos eles, mas, tanto eu, quanto a Ana, acertamos de primeira quais eram os olhos da Clara.

(…)

Certa vez eu voltava para casa, altas horas da madrugada, lá em Ouro Preto. Conversávamos, eu e um primo, quando, de repente, todas as luzes da cidade se apagaram e assim permaneceram por muitas horas. O contorno daquelas igrejas e casarões se destacava diante daquele fundo estrelado. Nós e as outras pessoas que por ali passavam, ficamos a admirar aquele momento único!

(…)

Para uns ele “não bate bem”, para outros que o conhecem, ele é o Juninho. Verdade é que, todos os dias, no fim da tarde, ele aparece na padaria, simplesmente para ver o dono acender as lâmpadas do estabelecimento. Como é um local antigo, o interruptor fica bem ao alto e é necessário usar uma espécie de alavanca para acionar o dispositivo. Assim que ele faz “clack”, o Juninho grita todo feliz pra todo mundo escutar: acendeu, acendeu! E, às vezes, pergunta para quem está perto: você viu? Acendeu!

Acreditem, é algo contagiante! E os funcionários, mesmo participando dessa cena todos os dias, sorriem diante desse instante luminoso. Nós, também.

04/08/15

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Uma ida ao zoológico

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Quem tem filhos, sobrinhos, já sabe de uma coisa: algum dia, uma ida ao zoológico será inevitável

Não me sinto muito atraído pelo lugar, mas, confesso que é impossível manter-me indiferente à presença de um elefante, ou de um rinoceronte, só para citar esses dois. Isso deve acontecer com todo mundo, tamanha a raridade desses bichos.

Uma médica me contou do dia em que, passeando tranquilamente pelo zoo, escutou de bem longe, o urro do leão. Experiência que durou alguns segundos e que, para ela, era ao mesmo tempo, fascinante e assustadora!

Mas, a imagem que mais me marcou e que (não vi), me foi contada pela Ana, minha esposa. Ao chegar próximo ao local onde ficava o gorila Id Amin, ela o viu sentado comendo calmamente_ pitangas vermelhinhas. Com suas mãos enormes e negras, ele pegava, uma a uma e punha na boca.

Em minha visita neste dia, me dei por satisfeito!

19/07/15


Tênis

Tenis

Ela foi à loja trocar o tênis. Estava apertado. Um outro vendedor a atendeu.

_ E a senhora conhece este aqui?

_ Não!

_ Tecnologia de ponta! Tá vendo essas bolinhas? Quando a pessoa anda, uma espécie de fluído infla as bolinhas, amortecendo os impactos!

A moça ora fazia cara de espanto, ora de interesse, e quando já ia dizer algo, o vendedor disparou:

_ Calça, a senhora vai ficar até emocionada! Pode caminhar!

E a moça com o tênis reluzente andou pra lá e pra cá!

_ Realmente, muito confortável! Não tem nem comparação com esse outro! Gostei!

_ Pra uma pessoa como a senhora, que está mais preocupada com o conforto que com o luxo, esse é ideal!

Saiu toda feliz com seu calçado novo e um par de meias novas! É pra combinar _ disse o vendedor.

(A imagem é meramente ilustrativa! rs)

15/07/15


Cenas num banco

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Sabe quando um cara, um sujeito alto e forte, monopoliza a fila do autoatendimento pagando todas as contas do mês?

A cada boleta paga ele olhava levemente pelo canto do olho pra ver se alguém tava ficando incomodado. Nós, que vínhamos logo atrás, olhávamos para o teto, para os lados, pro relógio… e suspirávamos! Até que, ouve um momento, em frente à máquina, em que ele fez uma pose igualzinha àquela dos duelos de faroeste. Nessa hora eu tive a certeza: ele ia demorar mais!

Saiu sem dar satisfação a ninguém; afinal, quem paga suas contas, é ele!

* * *

A atendente com a maior presteza auxiliava a velhinha a sacar um valor . Ao final, disse:

_ A senhora, pelo amor de Deus, cuidado, guarda bem direitinho isso, porque, o que tem de vigarista na praça…! Confesso que, desde meu tempo de criança, quando assistia na TV à Corrida Maluca, não escutava a expressão.

A vovó assentiu com a cabeça, guardou seu dinheirinho num saquinho plástico, depois, num embornal de pano e, por fim, dentro da bolsa! E seguiu pela vida com “um vai com Deus!”. Em pensamento, eu disse “amém!”

12/07/15


Esmolas

Esmolas

Eu estava dentro do carro, estacionado numa rua qualquer, num dia qualquer. Um mendigo passava pedindo:

_ Me arruma 10 centavos? Um senhor não disse nada, outro também não. Nem a senhora disse nada!

Se ele passasse por mim, perguntaria:

_ Porque 10 centavos, senhor? Esperaria ele responder alguma coisa e completaria:

_ O senhor merece mais!

06/07/15


Hortaliças

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Fim de tarde. O sol a iluminar sua face tão marcada pela idade. Mesmo assim, ela transparecia vitalidade e força. Nos braços, um grande livro de capa verde com o título à mostra:

As Hortaliças na Medicina Doméstica.”

06/07/15


Sem crise

rodoviaria

Eu estava no passeio em frente à Rodoviária de Belo Horizonte, aguardando o carro que me buscaria, quando veio em minha direção, um rapaz varrendo a calçada. Ao se aproximar de mim, perguntei a ele:

_ Você varre essa calçada toda de uma ponta à outra?

_ Varro! E, mostrando o estacionamento, completou: _ E tudo aquilo ali, até lá embaixo! Eu e mais outro!

_ E quando você chega aqui nesse local novamente?

_ Aí, já tá sujo! O senhor tá vendo aquela lixeira ali? Não tem um sinalítico nela? Metal, plástico e papel? A pessoa joga no chão! O senhor precisa de ver quando é feriado! Quando é feriado, isso fica de um jeito…!

_ Você vai ficar aqui até tarde hoje?

_ Até às 22 h! Mas tem dia que eu pego serviço mais cedo!

_ Aí dá pra chegar mais cedo em casa, não é mesmo?

_ Eu chego e ajudo minha mulher, que trabalha fora também! Varro a casa, limpo a cozinha. Faço o que é preciso! Faço até a janta! Sem crise!

Como diz a mãe de uma amiga minha: (Isso não é história, não! É caso “aconticido!”).

31/05/15