Tempo de criança

Saguão_congonhas

Crianças em cena quase sempre me chamam a atenção. E se há alguma tensão no ar, como por exemplo, uma birra daquelas, ou algo assim, imediatamente minhas antenas passam a funcionar.

Um menino de uns 5 anos vinha berrando no colo do pai que, apressado, empurrava o carrinho com as malas. A mãe vinha logo atrás, carregando a filhinha mais nova, que devia ter pouco mais de um ano. A bebê estava alheia ao que acontecia ao seu irmãozinho observando o mundo.

O pai parou de caminhar, deu uma sacodida nele e falou: você quer apanhar? E a criança em lágrimas, com os braços estendidos: eu quero a mamãe!

Mães são muito centradas, mesmo no meio de um tufão! E se estão com as crias por perto, não há vento que as derrubem! Ela disse de maneira atenciosa ao marido: coloque ele no nosso carrinho!

Então, o pai o pegou e pá.. o colocou sentado. O menininho começou a tossir. (Sim, crianças, muitas vezes tossem, fazendo pirraças, ou algo parecido. É uma forma de chamar a atenção, se algo não está descendo bem). A chupeta dele caiu no chão. O pai numa hora dessas nem se lembrou de micróbios e bactérias: pum! E o menino quase se calou!

Essas situações, às vezes se desenrolam como se fossem um pequeno filme. Nem todo mundo repara.

Assim que eles desapareceram do meu campo de visão, pensei em algumas hipóteses:

1) A viagem foi longa e o menininho já estava de saco cheio de aviões e aeroportos;

2) Não to afim de ficar com meu pai! Ele só sabe falar alto, está sempre bravo e não brinca comigo;

3) Eu também quero colo! Por que só a minha irmãzinha pode ficar com a mamãe?;

4) Nenhuma das alternativas acima.

Crianças são seres anti protocolares e uma das coisas que elas fazem melhor é quebrar os protocolos. Do adulto, claro.

19/05/15

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Horizonte

Horizonte

Minha filha literalmente me “acordou” hoje pela manhã com sua primeira pergunta do dia:

_ Pai, o que é diluído?

_ Diluído? (Repito a pergunta pra ver se a resposta vem logo…!)

_ Diluído é quando a gente faz uma mistura pra diminuir a concentração!

_ Huummm!

Mais tarde… bem na hora do almoço:

_ Pai, o que é horizonte?

_ Horizonte?

_ Horizonte é quando a gente olha laaaá na frente e vê algo!

_ E expandir? (Expandir o horizonte. Vim a saber, depois!)

_ Expandir?! (Antes que eu achasse uma resposta ela me disse):

_ Eu sei, pai! É chegar mais perto, né?

A cada dia me convenço mais que sou apenas um aprendiz de filósofo!

08/05/15


O ar que a gente respira

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Há uns anos atrás, minha filha teve uma crise de bronquite. Na madrugada, fomos monitorando a situação, porém, chegou um momento em que decidimos levá-la ao hospital. No caminho, ela perguntou dentro do carro: porque eu tenho de ir pro hospital? Só porque eu não tô respirando? Só por isso?! Pensei comigo depois: sim, filha, só por isso! Porque você é o ar que a gente respira! Um abraço a todos os pais!

Eduardo Augusto

10/08/14


O futuro

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Hoje, quando fazia o “Para Casa” com minha filha, ela me disse: pai, precisamos procurar a definição de duas palavras dentre as que podem ser escolhidas na atividade.

Escolhi gaveta. Ela escolheu futuro. Eu havia dito que ela não precisaria ir ao dicionário, já que podíamos tentar descobrir juntos o significado das palavras e o seu pai também saberia responder.

Será que minha memória é uma gaveta? Acho que a de todo mundo é: uma imensa gaveta. Sim, com ajuda dela a definição desse objeto tão corriqueiro veio na hora: lugar de guardar coisas!

Então a Clara me perguntou na sequência: o que é o futuro, pai?

Instantes de silêncio!

_ O futuro é o que virá – respondi de pronto!

_ O que virá?

_ O que pode, ou não acontecer – completei!

Então, em meio a perguntas e respostas filosóficas, me lembrei da música Aquarela, de Toquinho: “Um menino caminha e caminhando chega num muro e ali logo em frente, a esperar pela gente o futuro está… e o futuro… é uma astronave que tentamos pilotar”.

O futuro é agora, filha!

 Eduardo .

03/04/14

 


Histórias inspiradoras

Quando conheci Pedro Henrique, senti sua alegria e alto astral contagiantes! Ele mais parecia um peixe dentro d`água. Sua mãe me contou que logo que ele nasceu teve paralisia cerebral, o que comprometeu seu sistema motor. O médico disse a ela: “seu filho tem 6 meses de vida!”.  

_ Mas, eu nunca acreditei nisso!

O doutor deu o diagnóstico, mas Deus não assinou embaixo _ ela me dizia isso com um sorriso no rosto e um brilho nos olhos, enquanto Pedro nadava de um lado para o outro, acompanhado por sua fisioterapeuta! Dava para perceber nitidamente nas palavras de sua mãe, o gostinho da vitória! É a vitória da vida _ penso comigo!

 “Esse ano ele faz 20 anos! Nunca me deu trabalho, sempre foi um menino bom, alegre e com ele não tem tempo ruim! Meu filho é um tesouro que Deus me deu!”

Eduardo

05/03/14

 

 


Os filhos. E nós.

Mãos de criança

Desde que minha filha nasceu, fui percebendo pouco a pouco, como é dinâmico o processo de educar uma criança. Quando você acha que já sabe alguma coisa, o processo muda. Já não é mais você quem ensina ao seu filho, e sim, ele. Quando você acredita que chegou a um denominador comum sobre algumas questões, eis que o inusitado surge: uma explosão de raiva, uma pirraça por causa de algo banal, uma teimosia das grandes.

Filhos nos ensinam o que não sabemos ainda de nós. Sequer suspeitamos. Mas acredito também, que o amor é melhor combustível dessa relação. Com amor, o nosso sono se dissipa, a preguiça dá lugar a uma ida ao parquinho, a chateação pode virar nada diante de um sorriso meigo e feliz.

Então, você se vê diante da necessidade de se melhorar, de encontrar mais tempo para o seu filho, de tentar compreendê-lo mais, de cativar, de acolher. E isso, não tem hora para terminar.

Por isso, esteja por perto quando o seu filho quiser brincar! E há de querer centenas de vezes. Néctar da atenção. Escute, fale. Descubra junto com ele que existe beleza nas coisas pequenas e grandes. E que o tempo guarda seus mistérios! Pule, corra, role! Distenda os seus músculos, relaxe a cabeça, esqueça as preocupações. Depois, deixe caber tudo num abraço. Olho no olho, de coração para coração! E um beijo! Estamos aqui!

Eduardo

25/10/13.

 


Coisas não-gostáveis

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Que criança não gosta de remédio não é novidade pra ninguém. Mesmo que você diga que tem gosto de morango. Os remédios poderiam ser elevados à categoria de coisas não-gostáveis! E os cientistas, tanto pesquisaram… Mas, pai é pai, mãe é mãe e, se precisar, nem que seja uma vez na vida, o remedinho dos pequenos descerá pela goela abaixo: aperta as bochechas e, pum… lá se foi a temida colherada!

Evidentemente que 6, 8 ou 12 horas depois, você virá com a mesma ladainha: filho, você precisa tomar esse remédio! Altas horas da madrugada… Mas, como disse o Fernando Pessoa: “tudo vale a pena, se a alma não é pequena.”

Eduardo

11/03/13.