Um filósofo leve

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Tive a oportunidade de estar pelo menos três vezes com Rubem Alves. Na primeira delas, em 1995, em Ouro Preto- MG. Ele estava no auge de sua produção literária, seus livros e palestras ganhavam uma audiência que só aumentava a cada dia.

Ele tinha a capacidade de dizer as coisas mais importantes com um humor que se apresentava despercebidamente. De repente uma conversa sobre a razão do existir se direcionava para um verso de Cecília Meireles, Adélia Prado, Fernando Pessoa e outros. Rubem era capaz de estabelecer pontes entre o real e o imaginado, entre filosofia e literatura, entre o cotidiano e a poesia; despertando naqueles que o escutavam ou liam, o nostálgico sentimento da beleza e da infinitude. Uma flor, um pássaro, um jardim, uma cebola, uma caixa de brinquedos, uma sala de aula; temas de muitos dos seus textos, descortinavam o nosso olhar para o caleidoscópio da vida, que assim ganhava novas cores, sons e ritmos à luz de detalhes inusitados.

Muitas de suas histórias ficarão para sempre na memória de seus admiradores e das novas gerações. Uma delas em especial, ele gostava sempre de contar: “Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar…” Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

Rubem Alves, poeta também crianças. Gostava de estar junto delas investigando o mundo, montando quebra-cabeças, desmanchando outros, com especial atenção a essa fantástica lógica que habita o universo infantil e revela dele suas mais instigantes e belas explicações.

Eu, um jovem estudante de filosofia, resolvi me aproximar do Mestre, ao final daquela palestra em Ouro Preto e pedir a ele um autógrafo. Ao vê-lo tão de perto, impressionou-me o brilho do seu olhar.  Estendi a mão ao cumprimentá-lo. Ele perguntou meu nome e disse: _ Uma alegria, Eduardo! Feliz, respondi: _ Espero revê-lo outras vezes!

Não reparei num primeiro instante, o que ele havia escrito para mim, pois mais pessoas se achegavam. Momentos depois, quando fui ler o que estava no papel, não entendi uma palavra sequer.

Por uma feliz coincidência, eu o encontrei na saída do grande teatro e com o livro aberto na dedicatória disse a ele: “Rubem, não consigo entender sua letra!” Ele sorriu e falou: “tem horas que nem eu entendo!”

Colocou os seus óculos e disse com toda solenidade: Há filósofos leves e pesados, há filósofos leves que fazem voar. Leia o “Direito de Sonhar de Bachelard”. Leia “Asssim Falava Zaratustra” de Nietzsche. Filosofia pode ser divertido!

Não me esqueci de seus conselhos!

Aqui, minha pequena homenagem a esse ser humano tão especial! Ficam os ensinamentos deste grande Mestre e que muitas e muitas gerações conhecerão através de seus livros, entrevistas e palestras. Um legado de amor à vida, à beleza e à poesia. Siga em paz, no caminho da Luz, Rubem Alves.

 Eduardo 

20/07/14

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A dor que nos cala

Viaduto 2

Um estrondo. Silêncio. Nuvens de poeira. Gritos de desespero. Pedidos de socorro.

2 mortes. 23 feridos. Dentre eles, dois jovens. Hanna Cristina, 25 anos, motorista de um micrônibus há poucos anos e Charlys do Nascimento, 24 anos, servente de pedreiro. Histórias que se cruzaram, nesse destino para a morte. Suas lutas, do tamanho de uma batalha como a dos Guararapes, (nome do viaduto que desabou) e que levou para longe seus sonhos. Ele, segundo sua esposa, era uma benção em sua vida, para o pai, um filho muito presente; ela uma jovem de belos traços e espontânea alegria, que amava o que fazia.

O pequeno ônibus que Hanna dirigia tinha a cor amarela e o número 70, ano em que o Brasil venceu uma Copa do Mundo. Artimanhas  do destino. Segundo relato dos sobreviventes, Hanna teria freiado bruscamente seu veículo, ao escutar um forte estalo que antecedeu à queda de toneladas de concreto.

Àquela mesma hora, sua filhinha Ana Clara, de 5 anos, estava com ela. Para um coração de mãe, segundos podem ser tempo suficiente para se lembrar da cria e evitar o pior. Graças a Deus, a menina sobreviveu. Quantos sobreviveram! Uma tragédia que poderia ter se abatido sobre muitas famílias, já que o acidente ocorreu num horário de grande movimentação de carros e ônibus, numa grande avenida de Belo Horizonte. Um milagre _ muitos diziam. Por tudo isso, e principalmente, para os moradores desta grande cidade, aquela 5ª feira, véspera da partida, entre Brasil e Colômbia, não foi mais a mesma.

Era como se os escombros do viaduto que caiu, cobrissem nossas vistas, e fechassem a passagem do ar, tornando-o irrespirável. Uma hora sufocante, triste e desesperadora, sobretudo para todas aquelas pessoas que estavam naquele local.

Tamanha era a festa em torno do futebol por todo país que não se podia ou não se desejava, que os ecos dessa tragédia fossem veiculados em todos os jornais, com a contundência diante da magnitude do fato. Foi muito mais do que um balde de água fria na alegria geral. Mas, quando a vida está em jogo, o que importa realmente, é que ela perdure ao máximo e que todos cheguem sãos e salvos ao seu destino.

Pensando nessas histórias, fiz um exercício de imaginação. Hanna dizia alegremente para Ana Clara:

_ Filha, hoje vamos passear juntas!

_ Êba! Vai ser legal, mamãe!

Para uma criança, andar de ônibus num dia de férias, pode ser a maior a diversão. Depois, não foi mais assim.

Charlys talvez tenha dito à esposa:

_ Cristiliane, não seu preocupe, hoje busco você no trabalho!

_ Não precisa, Charlys!

_ Faço questão, Cris!

Que as lágrimas de seus pais, filhos, parentes e familiares possam um dia secar e que a lembrança mais viva, seja a do sorriso, da jovialidade e da coragem de vocês! Que esta tragédia nunca mais se repita! E que os homens, longe da ganância e do erro, tenham na memória que a vida é o bem mais precioso que temos!

Que o tempo se renove com o registro sincero e verdadeiro de tudo que se pôde viver de bom ao lado dessas pessoas, com toda Gratidão! Cada dia, cada hora, vencendo, construindo e seguindo em frente nessa longa estrada da vida.

Com essas palavras, minhas sinceras homenagens a Hanna Cristina e Charlys Nascimento. Aos familiares e amigos, meus sentimentos.

Fotografia: Portal G1

Eduardo

16/07/14


A força do bem

Dr Ivan

Identificar em nós sentimentos, não é uma coisa tão fácil, como pode parecer à primeira vista. Muitas vezes, sequer, somos capazes de “ver” o que se passa em nosso interior.  É preciso um longo aprendizado, para que se descortine diante de nossas vistas esse imenso mar do sentir.

Foi muito bonito ver durante essa Copa do Mundo tantos homens chorando. Sim, eles choram! Também a mulher, o idoso, a criança. Nossa natureza tem sede e fome de alegria, amor, esperança! Assim, nos tornamos mais belos!

Em meio a tantos assuntos falando de futebol, foi marcante demais assistir à história do médico Ivan Vargas e o menino africano Sumba, ontem à noite no Fantástico. Nem tudo é luxo na TV. Nem tudo é lixo. O Show da Vida acontece! E é impressionante saber que existem pessoas assim, como o Dr. Ivan, que se emocionam, porque doam de si, seu melhor! Pessoas que encurtam distâncias e fazem da fé o seu alimento de cada dia! Histórias inspiradoras que nos fazem acreditar que viver vale a pena!

Parabéns Dr. Ivan, vida longa, Sumba!

Assistam!

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/07/medico-traz-menino-africano-com-tumor-para-se-tratar-em-sao-paulo.html

 

 Eduardo

14/07/14


Não foi dessa vez

woddy allen

Dessa vez não deu para o Brasil nessa Copa. Como disse Woddy Allen: “A vida às vezes é chata, mas ainda é o melhor lugar onde se pode comer um delicioso bife”.

Há quem prefira salada!

Eduardo

13/07/14