Descascando o abacaxi

Abacaxi

Você, como eu, já comprou abacaxi com uma estranha sensação, um leve incômodo? Explico: é que uma hora ele terá de ser descascado! Por dias ele ficará encima da fruteira, até aparecer um corajoso com a faca na mão, disposto a desafiar sua resistência. Embaixo, suas mãos não serão capazes de segurá-lo firmemente, encima, suas folhas cheias de pequenos espinhos  farão você temê-lo de alguma forma. Mas, é preciso descascar o abacaxi. Ele pode esconder uma doçura inesquecível. Pode também combater dor de garganta, catarro.

É verdade que você gostaria que ele ficasse como uma maça lisinha, sem a casca, mas, quase sempre, ficarão uns potinhos pretos a lembrá-lo: abacaxi, que abacaxi!

Não é à toa que muita gente fez dele sinônimo de problema difícil de resolver. Com alguma coragem e fé você poderá usufruir de seu suprassumo! Você só precisa tentar.

Eduardo

10/09/13

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Universo possível

Babaloo

Era um dia lindo de sol. Até aí, tudo bem. Acabara de levar minha filha na escola. Dei um beijinho nela, recebi outro de volta. Eu estava feliz. Tardes ensolaradas de inverno são um refresco para a memória, quiçá, pras dores deste mundo. Entrei no meu carro. Acelerei dentro do que me era permitido. Mas, ao colocar e tirar o pé do freio, tive a sensação que ele estava colado ao pedal. Fiz um pequeno esforço para voltar com o pé, (nessa fração de segundos), para o acelerador. Justo eu que estou precisando andar mais rápido…

Em frente aonde moro uma constatação: eu pisara há pouco num chicletes “Babaloo”. O cheiro de tutti-fruit chegou ao meu nariz com a mesma velocidade com que raciocinei _ tirar essa “plastra” da minha bota não vai ser fácil. E não foi mesmo. Quem sabe um experiente entalhador de madeira com um bom formão?

Dá pra imaginar que, ao sair de casa você pisará numa goma de mascar no chão, derretida pelo calor do sol? Em plena 2ª feira? Bem naquele dia em que você irá viajar e tem um monte de coisas pra fazer?

Convenhamos, dentro de um universo possível, melhor será contar com um beijinho de sua filha!

Eduardo

10/09/13


O sabor das memórias

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Como quase toda criança, minha filha não tá nem aí pro verdinho. Não adianta dizer que faz bem, que o papai e a mamãe encheram o prato, que tem vitamina A, B, C… Que nada! Ela segue relutantemente (por hora) uma antiecologista à mesa. Não sei se quando eu era pequeno, tinha a mesma aversão a uma couve refogada na hora, a uma folha de alface regada com azeite, rúcula, espinafre, agrião e cia. Sinceramente, não me recordo. Isso já levanta alguma suspeita… Mas, me lembro muito bem, quando comi pela primeira vez, sentado ao lado da minha mãe, uma sopa que tinha repolho: _ Come, filho!

Foi uma experiência tão inesquecível que fiquei anos sem nem poder olhar para o dito cujo. Até que um dia, não sei porque graça, experimentei salada de repolho. Vai entender que caminhos o alimento percorre desde que tocam nossas papilas gustativas até chegar ao nosso cérebro, até confirmar alguma certeza: Isso é bom! Hum, que delícia! Vou repetir!

É engraçado, mas eu me lembro quando comi pela primeira vez: tomate, azeitona, leite em pó, manteiga e aquele que viria se tornar o meu prato favorito: salpicão. Posso dizer que essa lembrança me faz até ficar com água na boca. Uma experiência tão marcante, que poderia ser elevada à categoria estética _ certamente!

O mesmo posso dizer da maionese _ a seleta fria de legumes, bezuntada daquela pasta branca e cremosa. Que gostoso! Tanto eu era fã da iguaria que, menino, convenci meu melhor amigo a trocar um prato da gostosura _ que só sua mãe sabia fazer _ por meu ovo de páscoa. Até hoje ele se lembra disso, achando que saiu no lucro. Mero engano!

Acredito que daqui uns 20 anos, ou bem antes disso, minha filha se lembrará também dos sabores que ficaram em sua memória _ recheados de afetos, aromas e gostos. E assim, sigo tentando convencê-la (sem desistir) que a salada está maravilhosa!

Observação: a imagem é meramente ilustrativa! rs

Dedico esse texto ao meu amigo, Jander Sena.

Eduardo

09/09/13