I

II vai começar a lenga-lenga? I vai chover. Insiste. Inverna. Impeça. Importe-se. Inove.

Para um bom entendedor, um pingo é letra!

Eduardo

22/10/13

 

 


11 de setembro

11 de setembro

“A Natureza é um poema misterioso, cujo enigma, se nos fosse revelado, contaria a Odisséia do Espírito que foge de si, a buscar-se…”

Schelling, filósofo alemão. 

“Duas coisas me encantam nesta vida: o imenso céu estrelado sobre a minha cabeça e a moral no coração do homem.”

Kant, filósofo alemão.

Enquanto penso, lembro-me nesse exato instante, da famosa estátua de Rodin, “O Pensador”. Ele está ali a segurar sua cabeça que parece pesar. Imerso talvez, diante da plenitude da vida, do mistério e da pergunta…

Há uma frase do filósofo alemão Adorno, que é mais do que uma provocação: “As idéias nada realizam”. Pode ser que sim, se pensamos na grande quantidade de teses acadêmicas sobre tantos assuntos, propondo tantas soluções, para os mais diversos problemas. Não foi Marx, outro importante pensador quem disse solenemente: “Os filósofos até agora interpretaram o mundo, é preciso transformá-lo”.

No dia 11 de setembro de 2001, eu estava em Belo Horizonte, num Congresso Internacional de Filosofia que tratava da vida e da obra do filósofo alemão, Schelling. Dentre os muitos livros que ele escreveu, um chamou minha atenção desde que escutei pela primeira vez seu título: “As Eras do Mundo”. Um belo título para um livro filosófico. Nessa obra, o autor fez um esforço fantástico para tentar entender como o mal entrou no mundo. Se Deus é bom, como então o mal foi possível? Um dos palestrantes se encarregou de tentar nos fazer entender esse intrincado problema sob a ótica de Schelling. Por sinal, esse é um livro bastante interessante e especial, já que, para o filósofo alemão o mundo espiritual é uma realidade. Estávamos ali, imersos em meio a tantos questionamentos quando ficamos sabendo, antes do almoço, do ataque terrorista às Torres Gêmeas em Nova York. Nós, que tentávamos decifrar o problema do mal, estávamos bem diante dele, de alguma forma. Quando saí para o almoço, conversei com uma  universitária que me disse o que estava acontecendo. Até falou que tinha escutado alguém dizer que o mundo iria acabar. Vejam só! Às vezes, o trivial pode ser simples e até banal! Há momentos em que achamos que nada está acontecendo! O mundo não fica apenas do lado de lá. Encontrei-me momentos depois com um grande amigo, espiritualista sério, que se mostrou bastante preocupado com o que estava ocorrendo. Havia com certeza, uma comoção no ar, que se espalhou pelos corredores da Faculdade de Filosofia da UFMG. Eu diria até que havia um certo alarmismo disfarçado de não sei o quê. Bachelard, filósofo francês, disse certa vez: “Somente a violência é convincente”. Provavelmente ele teria passado também por uma grande comoção para poder dizer assim, com todas as letras que, diante da barbárie, nos rendemos de alguma forma.

O mundo é uma bola que gira no espaço. Cá estamos! De vez em quando, à noite, olhamos para o alto para contemplar as
estrelas e sentir no infinito, nosso espírito mergulhado em um corpo, como diria Platão. De vez em quando, dizemos que já é hora de dormir e descansar… E assim, vamos levando a vida, acalentando nossos sonhos para um dia despertar.

Façamos a nossa parte. Ela é a parte de todos! Trabalhemos pela paz.

Eduardo Augusto

01/06/06


Mandando beijinhos

Já faz um tempo que eu acompanhava a vida de Yasser Arafat, líder da Organização para a Libertação da Palestina. Creio que, desde o momento em que vi, palestinos com pedras e bodoques nas mãos, enfrentando israelenses armados de fuzis. Eu pensava que alguma coisa devia estar errada, inclusive o ódio.

Lembro-me claramente, quando há uns 9 anos atrás, Arafat teve permissão para colocar os pés em Belém, na Terra Santa. Ele foi com a família, levando também sua filhinha. Na Gruta da Natividade, sorriu e posou para os fotógrafos, sentado no chão com a menina, bem próximo à estrela que representa, segundo os cristãos, o local exato onde Jesus teria nascido. Uma cena muito bonita! Parecia uma brincadeira!

Da primeira vez em que ele discursou na Sede das Nações Unidas em Nova York, em 1974, levantou o braço em punho e disse em inglês: eu sou um rebelde! Depois, em 1988, num discurso nesse mesmo parlamento, viria renunciar à luta armada. Pensei comigo: “Os brutos também amam!”

Os Acordos de Oslo, nos anos 90, deram início a um novo processo de paz entre palestinos e israelenses. Nos jardins da Casa Branca, Arafat e Yitzhak Rabin selam esses acordos e assinam “A Paz dos Bravos”, apertando-se as mãos. Uma cena que me marcou e creio que também a milhões de pessoas. Em 1994, os dois, juntamente com Shimon Perez, receberam o Nobel da Paz em reconhecimento aos esforços pela busca de uma solução pacífica para os conflitos.

O caminho da concórdia pode ser longo. Ter idas e vindas. Em 1995, Yitzhak Rabin, após cantar junto com a multidão a “Canção da Paz” num comício, foi assassinado com um tiro no peito por um judeu radical. Em várias partes do mundo, jornais e revistas exibiram um símbolo daqueles tempos; a canção que ele havia guardado no bolso, manchada de sangue, com um buraco de bala bem no meio. Tempos depois, aqui em nosso país, conheci uma brasileira que estava lá naquele instante. Ela me falou da comoção que tomou conta das pessoas ali. Daquele momento em diante houve um grande retrocesso nas relações, com retaliações de ambos os lados.

Quando Arafat esteve no Brasil, em 1988, a jornalista Marília Gabriela o entrevistou.  Perguntou a ele, como era para um povo viver 40 anos sem ter uma terra. Ele disse enfaticamente: “Mas nós temos! É a Palestina! É a Palestina!

Quando eu via pela televisão ou pelos jornais, notícias do mundo de lá, pensava comigo sobre o que faria se tivesse um pedacinho de terra e ele fosse invadido! Pensava numa solução e nem sempre encontrava respostas diante dos possíveis dilemas e desencontros desta  vida.

Já doente, rumo a Paris, para onde iria se tratar, Arafat se despediu do povo palestino, onde ficava seu quartel-general em Ramallah, jogando beijinhos para a multidão! Coisa que comumente ele fazia, quando cercado pelo seu povo. Um líder amado por sua gente, tantas vezes levando a esperança, essa, que navega corações: de bravos e de mansos!  Penso: não é pouca coisa ganhar o Nobel da Paz! Afinal de contas, “somos todos iguais, braços dados ou não… quem sabe faz a hora, não espera acontecer” como disse o compositor Geraldo Vandré. E que essa hora volte para palestinos e judeus, na Terra Santa.

Que haja amor e paz para todos nós!

Eduardo Augusto

12/11/04.


Começar de novo

Comecei escrevendo poesias na infância e quando estava na 3ª série fiz uma em homenagem ao Dia das Mães que foi rodada num mimeógrafo para toda a escola. Lembro-me nitidamente de receber em minhas mãos o texto e que naquele momento era também entregue a dezenas de outros alunos.

Na adolescência, escrevi milhares de poemas; até que um dia, percebi que todos eles falavam de alguma forma, dessa incompletude que tantas vezes sentimos. Mais na frente, resolvi então rasgar todos aqueles papéis repletos de significados, quem sabe, ocultos; frases subjetivas disparadas em muitas direções. Já disse Ferreira Gullar: “a poesia está em tudo, mas, não todo o tempo!”

Depois disso, fiquei quase uma década sem nada escrever… até que um dia, indo de ônibus para o centro da cidade vi uma cena que me marcou para sempre. Eu estava sentado bem na frente quando um velhinho deu o sinal. Muito devagarinho, muito mesmo, ele desceu cada degrau, enquanto o motorista aguardava pacientemente. Eu e todas aquelas pessoas que ali estavam acompanhávamos também seus movimentos. Era como se o tempo tivesse parado e algo de nossa solidariedade despertasse. Assim que ele alcançou a calçada, virou-se lentamente para o motorista, tirou o boné fazendo um gesto de agradecimento_ reverência por tão bela gentileza; fazendo-nos esquecer que, há pressa na cidade grande . O condutor do lotação respondeu com um singelo sorriso, consentindo com  a cabeça. Decidi a partir daquele instante que precisaria contar esta história e que começaria de novo a escrever, trilhando agora o caminho da crônica, deixando falar com objetividade a voz do coração.

Hoje, dia 19 de agosto, meu blog Maneira Simples, faz um ano! Uma grande alegria para mim! Quase 28 mil visualizações, do Brasil e de outras partes do mundo.

Quero expressar minha gratidão a todas as pessoas que por aqui passaram, aos meus queridos amigos que tanto me incentivaram a publicar meus textos, que comentaram, divulgaram. Bem grato a todos!

Maneira simples:  “Nada é mais real que aprender maneira simples de viver, tudo é tão normal se a gente não se cansa nunca de aprender, sempre olhar, como se fosse a primeira vez, se espantar como criança a perguntar por quês…”.

Grato ao Almir Sater por também ter me inspirado desde de que escutei pela primeira vez sua música!

Um abraço gente,

Eduardo

19/08/12

http://letras.mus.br/almir-sater/868447/


Precisamos ficar velhos

Como faltam velhos no mundo de hoje. Eu estava um dia desses num supermercado quando ao meu lado parou um senhor. Penso que ele devia ter quase uns 80 anos. Usava uma camisa xadrez e óculos. Era magro e me parecia saudável. Havia uma sobriedade nele que me impressionou. Uma elegância sem afetação. Era como se ele fosse velho de verdade. Eu o observei por alguns instantes. Quantas histórias não teria para contar? Suas mãos (os dedos eram finos e longos) revelavam algo de sua inteligência e sensibilidade.

Talvez as pessoas estejam desaprendendo a ficar velhas. Isso não tem nada a ver com esperar a vida passar tomando remédios, ou pintando os cabelos. Penso que envelhecer tem a ver com a maturidade a duras penas conquistada. É algo que nem mesmo se explica. Olhar para trás e ver o que se construiu  e, ao mesmo tempo, não achar que a morte é o fim.

Me lembro quando Tom Jobim disse: “a gente precisa ficar velho pra ser perdoado”. Tantos equívocos, desvios de rotas, compreensões erradas, atitudes que não levaram a nada… Foi isso o que ele quis dizer. Que a velhice é uma espécie de redenção. Sem achar que viver não valeu a pena.

Eduardo

18/06/12

* Esta foto é do filósofo indiano Krishnamurti. O senhor com quem me encontrei me lembrava o filósofo.

 


A Bíblia e o bodoque

Quando éramos crianças meu pai comprou uma Bíblia em fascículos e durante muitas noites ele lia para mim e os meus três irmãos algumas daquelas histórias. Ficávamos maravilhados, pois ela era toda ilustrada.

O tempo passou e o livro sagrado foi ficando esquecido debaixo do sofá da sala.

Certa vez brincando com um amigo de infância encontramos a Bíblia e ele ficou encantado com aquelas figuras tão bem desenhadas. Um dia, voltou lá em casa com um bodoque muito legal, construído por seu avô. A forquilha toda talhada e as tiras cortadas milimetricamente. Ele possuia uma pontaria excepcional, de maneira que muitos passarinhos voavam de vez para o céu. Fiquei impactado com aquele objeto raro, conseguindo inclusive, na primeira tentativa, quase arrancar um pedaço do meu polegar esquerdo, para a sorte da passarada!

Meu amigo não perdeu tempo:

_ Edu, sabe aquela Bíblia de desenhos que você me mostrou outro dia?

_ Sei! O que tem Nicolau?

_ Eu troco o meu bodoque nela! Fechado?!  Não pensei duas vezes!

_ Fechado!

E assim seguimos felizes da vida para as nossas casas. De minha parte posso confessar: nem mesmo uma pombinha parada de minhas mãos levou uma pedrada! Do meu amigo, quero crer: sua fé foi aumentada!

Eduardo

17/06/12

Dedico esta crônica ao meu grande amigo de tantos anos e de caminhada, Wilson Nicolau. E expresso aqui minha gratidão também por ter me acompanhado naquelas primeiras cirurgias que realizei na perna, ainda criança, indo à minha casa muitas vezes, levar seu caderno da 5a série e me passando o que era ensinado na escola. Grande abraço, irmão!


Laboratório do amor

Muitas vezes ouvi minha mãe dizer:  “criei os meus filhos com muito sacrifício, com muita luta”. Quantas mães já não disseram isso? Quantos pais não o disseram, mas o sentiram de verdade?

Pensei nesse verbo: criar. Contribuir na formação de um novo ser. É uma grande batalha, árdua tarefa, da qual, não podemos escapar. E vale a pena com certeza, todo esse aprendizado.

Educar é nobre. Como alguém já disse: “quem ama, educa!”  Mostra o certo e o errado. Explica, questiona, pergunta, revela, ensina.

Nossos filhos aprendem conosco todos os dias e também aprendemos com eles. Muitas vezes, conhecem nossos defeitos, como se diz: “num piscar de olhos”, ou estão sujeitos a absorverem determinados traços do nosso temperamento. Em muitos momentos, eles nos devolvem aquilo que somos, como se fossem espelhos, fazendo com que tenhamos o desejo, a vontade de nos superarmos.  E a vida nos brinda com essa oportunidade de fazermos, quem sabe, revoluções. No tempo certo, removendo o antiquado que há em nós.

Fico pensando, ao observar as crianças que, a alegria é uma das coisas mais importantes dentro de um lar. Alegria de conviver, alegria de estar em paz, pois assim, podemos construir um caminho mais harmonioso e belo.  De certa forma é essa mesma alegria, capaz de blindar as influências negativas que chegam da escola, onde outras crianças, vindas, às vezes, de lares pouco estruturados, influenciam nossos filhos; da mídia, e até de outros meios que nem imaginamos. Sim, a alegria faz milagres. Com a gratidão ela nos renova a cada dia abrindo novos e amplos horizontes. Janelas para o ser.

Educar é uma construção diária. Em dinâmica simbiose, pais e filhos aprendem mais de si e do mundo. E nessa peleja, lançamos as sementinhas de um amanhã promissor, nesse laboratório do amor.

Educar. Não vale entregar o jogo no segundo tempo. É preciso coragem.

Criar os filhos, sem desanimar!

Eduardo

14/06/12