Controle remoto

Eu me lembro muito bem quando vi pela primeira vez um controle remoto de TV. Foi numa festa de noivado em Ouro Preto-MG, em 1978. A TV em cores era também enorme para aquela época. A criançada mexeu tanto na geringonça que, em determinado momento, ficamos apreensivos se não havíamos estragado aquela peça rara que, de mão em mão, fazia a alegria da meninada.

Na semana passada fiquei sabendo que seu inventor, o americano Eugene Polley,  morreu aos 96 anos.

Gravou-se em minha memória aquele dia em que fizemos mágica com a ponta dos dedos.

http://economia.ig.com.br/empresas/industria/2012-05-22/morre-nos-eua-o-inventor-do-controle-remoto-de-tv.html

Eduardo

23/05/12 

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Biônico

Desde pequeno uso aparelho ortopédico. Tive poliomielite com um ano e meio e desde então, o tutor é um companheiro de estrada. Por volta dos 9 anos gostava muito de ir com meus irmãos à piscina. Brincávamos horas e horas na água. Antes do clube fechar, eu insistia com eles para irmos mais cedo para o vestiário. Colocar o tutor levava um tempo considerável. Assim que tocava a sirene, o espaço ficava pequeno para tantos adultos e crianças e em poucos minutos o vestiário era fechado.

Quando isso acontecia, eu tinha de colocar meu aparelho do lado de fora, já que precisava estender minha perna na horizontal, o que faço até hoje. Ou seja, eu ocupava um banco inteiro para realizar esta ação. A meninada ia chegando, fazia uma roda à minha volta e perguntavam aos meus irmãos:

_ O que é isso na perna dele? Eles respondiam com a maior cara de convencimento:

_  Ele tem perna biônica!

_ Nossa, é mesmo!?

_ Olha só, ele tem perna biônica!” A criançada se olhava admirada querendo saber de cada peça! Meus manos e meus amigos não paravam de inventar e faziam um esforço imenso para não rir! Eu também acabava me divertindo muito! Uma das crianças disse certa vez:

_ Ele tem perna biônica? Então, pede pra ele correr!” Aí meus irmãos diziam: Não, agora não, a perna dele molhou na piscina, tem de esperar secar! Senão, não funciona…!

É isso! Uma bela recordação da minha infância à época em que passava na TV a mini-série: O homem de 6 milhões dólares!

Dedico esse texto aos meus queridos irmãos Taciano Júnior, Giuliano e Marco Antonio.

Eduardo

05/04/12 


Horário Nobre

Sempre gostei de ver televisão. Já vi tanta coisa bonita que ficou gravada em minha memória e em meu coração. Há alguns anos atrás, o Brasil produziu uma televisão de altíssimo nível. As programações eram mais singelas, até mesmo ingênuas e bem pouco invasivas. Do início dos anos 90 até os dias de hoje, as coisas só foram piorando, dando lugar a muitos absurdos e gerando uma enorme discrepância entre o que o público verdadeiramente quer ver e o lixo que se mostra fácil porque é fácil de produzir e mostrar. Sempre acreditei na televisão como um instrumento de formação de um sentido estético mais elevado. Acredito de fato, que ela possua a capacidade de nos alimentar com o lúdico, o belo, o comovente, movendo-nos para as esferas do encantado, da beleza, da leveza, sem alienar. Mas, para que isso aconteça é preciso que tenhamos ao nosso alcance uma programação cuja finalidade seja, não somente entreter, mas também ensinar.

Um telespectador mais atento é capaz de perceber a sutil influência exercida por uma TV ligada. Há estudos que comprovam isso. Ela é capaz de hipnotizar as pessoas e gerar um considerável grau de dominância sobre mim, sobre você, quase todos. Hipnotizar no sentido de alienar, lançar-nos para fora de nós de mesmos e subliminarmente manipular-nos sem que tenhamos consciência plena disso. À frente de uma televisão ligada, mastigamos sem sentir o sabor dos alimentos, falamos sem nos fazer entender, quase não escutamos. Atualmente, é lamentável ver tantos pais chegando em casa exaustos do trabalho, mas, logo acionando o controle remoto em busca de algo que possa aliviar as duras batalhas da vida. Enquanto o jantar é preparado, os filhos estarão mergulhados, diria até, atolados, num mar de imagens, cores e sons à frente de um computador que pisca sem cessar.  Por horas e horas, estarão ali, esquecendo-se de si, do tempo. Porque estamos deixando a sala de jantar tão vazia? Porque estamos deixando que isso aconteça com as novas gerações, quase sem nada fazer?

Acredito que a televisão deve ser pouco assistida, até mesmo ligada. A não ser que seja para ver algo que realmente valha a pena, deixando que a arte nos comova e nos mova para além de tanta mediocridade. Alimentando nosso espiríto em direção ao belo, ao edificante. Juntamos a família e em silêncio contemplamos, aprendemos, quase não conversamos, pois deixaremos que as imagens falem por nós, que a beleza fale por nós, formando-nos em direção a um sentido estético mais elevado, límpido e harmonioso. Depois vem a conversa, a reflexão, a descontração.

Melhor será deixar as crianças distantes da novela das oito, das propagandas enganosas e cheias de truques. Melhor será brincar com os filhos, escutá-los, conhecendo suas histórias, aproximando, trazendo-os para mais perto, quem sabe tomando uma deliciosa sopa juntos, em família. Quem sabe saindo um pouco para ver o luar. Isso sim, é ter um horário nobre.

Eduardo Augusto Batista dos Santos

Formado em Filosofia

Atualmente trabalha na área de recursos humanos de uma grande empresa.

21/06/11


Para o futuro

Ontem o Jornal Nacional exibiu uma matéria comovente, continuação da primeira, exibida há treze dias atrás e que falou de uma descoberta nos subterrâneos do Congresso Nacional em Brasília. Trabalhadores encontraram nas paredes, mensagens escritas a lápis há mais de cinqüenta anos, por aqueles primeiros homens que se dispuseram chegar ao cerrado brasileiro, bem no coração do Brasil. Quem sabe alguém, um dia, reconheceria naquele espaço, pegadas de gigantes. Esses guerreiros foram muito bem retratados na escultura, “Os Candangos” do artista Bruno Giorgi. Ela se encontra imponente na Praça dos Três Poderes. Simboliza a coragem e a força de homens que lutaram para a construção de um sonho.

Alri, filha de um desses desbravadores, vendo a primeira reportagem, enviou um emocionado email ao site do jornal. Saiu de Santa Catarina para ver de perto aquelas inscrições e encontrou a mensagem deixada por seu pai, José Silva Guerra, tanto tempo atrás. Eu a reproduzo aqui:

“Que os homens de amanhã que aqui vierem tenham compaixão dos nossos filhos e que a lei se cumpra”.

Com lágrimas nos olhos concedeu uma bonita entrevista contando um pouco mais da vida do seu pai, enquanto eram exibidas de maneira muito delicada, fotografias da família. Antes de se despedir, ela pede novamente para descer as escadas até aquele subterrâneo e, ali, num gesto de reverência, beija a mão e a passa por sobre aquelas palavras com carinho e saudade.

Assistam, porque a televisão nos brinda muitas vezes com esses mágicos e poderosos instantes, fazendo da notícia momentos de encontro.

Concluo esta crônica lembrando do meu pai, Seu Tasciano, que faleceu há quase dois anos… descobri que a saudade se faz de presenças e essa linda reportagem confirmou isso.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/08/filha-de-operario-que-ajudou-construir-brasilia-reve-mensagens-que-ele-deixou-no-congresso.html

23/08/11.