Sem crise

rodoviaria

Eu estava no passeio em frente à Rodoviária de Belo Horizonte, aguardando o carro que me buscaria, quando veio em minha direção, um rapaz varrendo a calçada. Ao se aproximar de mim, perguntei a ele:

_ Você varre essa calçada toda de uma ponta à outra?

_ Varro! E, mostrando o estacionamento, completou: _ E tudo aquilo ali, até lá embaixo! Eu e mais outro!

_ E quando você chega aqui nesse local novamente?

_ Aí, já tá sujo! O senhor tá vendo aquela lixeira ali? Não tem um sinalítico nela? Metal, plástico e papel? A pessoa joga no chão! O senhor precisa de ver quando é feriado! Quando é feriado, isso fica de um jeito…!

_ Você vai ficar aqui até tarde hoje?

_ Até às 22 h! Mas tem dia que eu pego serviço mais cedo!

_ Aí dá pra chegar mais cedo em casa, não é mesmo?

_ Eu chego e ajudo minha mulher, que trabalha fora também! Varro a casa, limpo a cozinha. Faço o que é preciso! Faço até a janta! Sem crise!

Como diz a mãe de uma amiga minha: (Isso não é história, não! É caso “aconticido!”).

31/05/15

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Água

agua[1]

Precisei outro dia resolver uma pequena questão no prédio onde moramos.

Com essa crise hídrica, minha filha veio nos mostrar um desenho que havia feito na escola, mostrando a importância de economizarmos água. Eu e a Ana gostamos muito, principalmente porque trabalhos assim, feitos com tanta simplicidade, dizem muito!

Então a nossa filha nos pediu para perguntar ao síndico, se ele a deixava pregar sua “obra-prima” no elevador do prédio. Fui falar com ele.

_ Senhor Eduardo, como eu poderia negar um pedido assim, vindo de uma criança? Claro que pode afixar! E diga a ela que ficamos bem felizes por nos auxiliar nesta campanha!

Sorridente, deixei que ela mesma escolhesse o local! Isso já faz um mês.

Hoje, o síndico nos entregou uma cartinha para que lêssemos juntos:

Senhorita Clara,

Queremos agradecê-la mais uma vez por esta bela iniciativa. Aproveitamos para fazer saber que, nosso prédio, no mês de maio, já conseguimos economizar, até agora, quase 2 mil litros de água.

És pequenina no tamanho, mas grande em maestria.

Atenciosamente,

Síndico, subsíndico e conselheiros. (Assinaturas de próprio punho).

A Clara nos disse que fará mais desenhos. Um de cada vez!

 20/05/15


Tempo de criança

Saguão_congonhas

Crianças em cena quase sempre me chamam a atenção. E se há alguma tensão no ar, como por exemplo, uma birra daquelas, ou algo assim, imediatamente minhas antenas passam a funcionar.

Um menino de uns 5 anos vinha berrando no colo do pai que, apressado, empurrava o carrinho com as malas. A mãe vinha logo atrás, carregando a filhinha mais nova, que devia ter pouco mais de um ano. A bebê estava alheia ao que acontecia ao seu irmãozinho observando o mundo.

O pai parou de caminhar, deu uma sacodida nele e falou: você quer apanhar? E a criança em lágrimas, com os braços estendidos: eu quero a mamãe!

Mães são muito centradas, mesmo no meio de um tufão! E se estão com as crias por perto, não há vento que as derrubem! Ela disse de maneira atenciosa ao marido: coloque ele no nosso carrinho!

Então, o pai o pegou e pá.. o colocou sentado. O menininho começou a tossir. (Sim, crianças, muitas vezes tossem, fazendo pirraças, ou algo parecido. É uma forma de chamar a atenção, se algo não está descendo bem). A chupeta dele caiu no chão. O pai numa hora dessas nem se lembrou de micróbios e bactérias: pum! E o menino quase se calou!

Essas situações, às vezes se desenrolam como se fossem um pequeno filme. Nem todo mundo repara.

Assim que eles desapareceram do meu campo de visão, pensei em algumas hipóteses:

1) A viagem foi longa e o menininho já estava de saco cheio de aviões e aeroportos;

2) Não to afim de ficar com meu pai! Ele só sabe falar alto, está sempre bravo e não brinca comigo;

3) Eu também quero colo! Por que só a minha irmãzinha pode ficar com a mamãe?;

4) Nenhuma das alternativas acima.

Crianças são seres anti protocolares e uma das coisas que elas fazem melhor é quebrar os protocolos. Do adulto, claro.

19/05/15


Horizonte

Horizonte

Minha filha literalmente me “acordou” hoje pela manhã com sua primeira pergunta do dia:

_ Pai, o que é diluído?

_ Diluído? (Repito a pergunta pra ver se a resposta vem logo…!)

_ Diluído é quando a gente faz uma mistura pra diminuir a concentração!

_ Huummm!

Mais tarde… bem na hora do almoço:

_ Pai, o que é horizonte?

_ Horizonte?

_ Horizonte é quando a gente olha laaaá na frente e vê algo!

_ E expandir? (Expandir o horizonte. Vim a saber, depois!)

_ Expandir?! (Antes que eu achasse uma resposta ela me disse):

_ Eu sei, pai! É chegar mais perto, né?

A cada dia me convenço mais que sou apenas um aprendiz de filósofo!

08/05/15


Ganhar na loteria

mega sena

Minha filha literalmente me “acordou” hoje pela manhã com sua primeira pergunta do dia:

_ Pai, o que é diluído?

_ Diluído? (Repito a pergunta pra ver se a resposta vem logo…!)

_ Diluído é quando a gente faz uma mistura pra diminuir a concentração!

_ Huummm!

Mais tarde… bem na hora do almoço:

_ Pai, o que é horizonte?

_ Horizonte?

_ Horizonte é quando a gente olha laaaá na frente e vê algo!

_ E expandir? (Expandir o horizonte. Vim a saber, depois!)

_ Expandir?! (Antes que eu achasse uma resposta ela me disse):

_ Eu sei, pai! É chegar mais perto, né?

A cada dia me convenço mais que sou apenas um aprendiz de filósofo!

06/05/15


Cavalheirismo

cavalheirismo

O senhor à minha frente veio com seu prato repleto de salada. Não começou a comer logo em seguida. Ao avistar sua esposa dirigindo-se à mesa, levantou-se e, educadamente, puxou a cadeira para que ela se sentasse. Sorriram um para o outro. Parecia cena de novela, mas, não era.

O cavalheirismo não fica fora de moda.

03/05/15